sábado, 16 de outubro de 2010

« AQUILINO RIBEIRO: REVOLUCIONÁRIO e ESCRITOR da MONTANHA »

AQUILINO RIBEIRO
Escritor
(1885-1963)


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Aquilino Ribeiro nasce a 13 de Setembro de 1885 em Carregal de Tabosa, concelho de Sernancelhe. Aos dez anos, vai residir com os pais para Soutosa, onde faz a instrução primária. Transita depois para Lamego e Viseu, onde chega a frequentar o seminário, abandonando-o por falta de vocação.

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Em 1906 muda-se para Lisboa e, em pleno período de agitação republicana, começa a escrever os primeiros artigos em jornais.

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Em 1907, devido à explosão de uma bomba, é preso. Mas consegue evadir-se e, entre 1908 e 1914, divide a sua residência entre Paris e Berlim.

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Em 1914, com a eclosão da I Grande Guerra, volta a Portugal. Em 1918 publica o primeiro romance, " Via Sinuosa", que dedica à memória do seu pai, Joaquim Francisco Ribeiro.

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A convite de Raul Proença, entra em 1919 para a Biblioteca Nacional. A partir desse ano, escreve incessantemente: "Terras do Demo" (1919), "O Romance da Raposa" (1924), "Andam Faunos Pelos Bosques" (1926), "A Batalha Sem Fim" (1931) e muitos outros títulos.

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Envolvido em revoltas contra a ditadura militar, no Porto e em Viseu, exila-se por duas (1927 e 1928) vezes em Paris, onde casa pela segunda vez (a primeira mulher falecera).

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A partir de 1935 o seu labor literário torna-se mais fecundo: "Volfrâmio" (1944), "O Arcanjo Negro" (1947), "O Malhadinhas" (1949), "A Casa Grande de Romarigães" (1957), "Quando os Lobos Uivam" (1958), este último apreendido pela censura e pretexto para um processo em tribunal.

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Entretanto, viaja: Brasil, Londres, Paris. Em 1963, durante as comemorações do 50° aniversário do seu primeiro livro, promovidas pela Sociedade Portuguesa de Escritores, então presidida por Ferreira de Castro - adoece inesperadamente.

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Morre a 7 de Maio de 1963, no Hospital da CUF, com 78 anos.



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MESTRE Aquilino Ribeiro, nos finais dos anos 40, deixou a sua casa da beira-mar, na Cruz Quebrada - 'arredores' de Lisboa -, para morar nas Avenidas Novas.
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Passou a viver na cidade! Homem da serra, vizinho do vento e das núvens, não se deveria encafuar naqueles paredões de cimento armado com persianas, que é o estilo «caixoteano» lisboeta. A casa, batida de sol, rasgada de janelas amplas, por onde respirava, num terceiro andar, dominava o horizonte.
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Mestre Aquilino, um símbolo da nossa literatura. Antes dele, só Camilo Castelo Branco trabalhou tanto, porfiadamente, numa fecundidade de génio. Toda a sua obra constitui um verdadeiro monumento da literatura contemporânea. Quem lê os seus livros, adivinha o homem: forte, sadio, de largas passadas e, impetuoso, que gesticulava e trabalhava como um gigante!
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A sua pena nunca tinha fadiga, nem dias feriados. Não conheceu férias, mesmo as burguesas férias de qualquer trabalhador. No Verão, dava uma saltada à sua Beira. Aí, a vida multiplicava-se de novas actividades. O escritor vivia e compartilhava da alegria da terra. Trepava à serra, perdia-se nos vales onde as cigarras sempre cantaram preguiçosamente.
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Viram-no de tamancos nos pés, de testeiras de feno e capucha na cabeça, ajudando nos penosos trabalhos da lavoura, enchendo cestos das vindimas, seguindo o caminho fecundo do arado. Aí, onde a família lhe tinha deixado uma linda casa, com capela estilo barroco, Aquilino escreveu alguns dos seus mais belos livros. E trabalhava de qualquer maneira, escrevendo ao correr da pena, deixando algumas páginas sem uma ligeira emenda, com o poder de um criador que, de jacto, cria beleza.
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Aquilino tinha uma extraordinária capacidade de adaptação!
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Muitos anos viveu em Paris, como acima já disse, viajou e conheceu mundo. Trocou as botas da serra pelos sapatos parisienses. Porém, nunca deixou de ser o escritor enamorado das fragas, pleno de cor, enchendo a nossa literatura da mais luminosa prosa, como pintor de um mundo de beleza.
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Apesar de 'referenciado' pelo regime salazarista, a sua gigantesca estatura intelectual impressionou o ditador ao ponto de, este recomendar aos seus serviços censores para não lhe apreenderem as obras, ou o asfixiarem muito com os controles policiais.
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Salazar deixou escrita esta frase: «É um inimigo do Regime. Dirá mal de mim; mas não importa: é um grande Escritor».
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Aquilino foi um homem moderno. Escreveu os seus romances à máquina, velozmente, como qualquer correspondente comercial.
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Aproveitava as manhãs para trabalhar, continuamente; e isto sem horário, porque um escritor não pode limitar burocraticamente o seu labor. A obra aquiliana era um rio... que não parava nunca!
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Gostava de viajar e de passear. Em família, ouvia rádio e lia muito. Acompanhava os estudos dos filhos e envolvia-se nas matérias que aprendiam, por vezes em pleno gabinete de trabalho que era uma verdadeira montanha de livros e manuscritos! Faz-me lembrar Teófilo de Braga, que também parecia desorganizado, submerso de livros e documentos.
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Da parte da tarde, nunca faltava à sua tertúlia na Livraria "Bertrand", onde se reuniam artistas e escritores, um verdadeiro cenáculo em pleno Chiado. E... mesmo aí, Aquilino nunca deixou de estar em actividade: Dava uma ideia, apresentava um alvitre, acedia a uma entrevista.
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Aquilino Ribeiro, mesmo sozinho era... a personificação da Literatura!


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Homem da montanha
e
cinzelador da língua pátria


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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

« GATO por LEBRE... na FARMÁCIA »



Medicamentos falsos rendem mais que 'coca'

A contrafacção de produtos médicos e crimes semelhantes inclui o fabrico e distribuição de medicamentos e produtos médicos falsificados, com intenções criminosas. A contrafacção atinge todos os géneros de produtos médicos, tanto para uso humano como veterinário.

De acordo com a OMS, os medicamentos falsificados representam menos de 1% do valor de mercado em países desenvolvidos, onde há mecanismos de controlo eficientes, mas mais de 50% em sites anónimos na internet. Os países em desenvolvimento têm áreas em que mais de 30% dos medicamentos à venda são contrafeitos.

Sabe-se que há pacientes que morreram em consequência de terem tomado medicamentos falsos (estima-se que nos EUA, 80 mortes resultem do uso de heparina falsificada). Sabe-se também que a saúde dos pacientes europeus tem sofrido em consequência da exposição a estes "medicamentos".

Há também um perigo enorme quando os animais são tratados com medicamentos contrafeitos de que as suas doenças se transformem em epidemias, e se transmitam mais facilmente às pessoas.

Na Europa, foram descobertos no circuito legal de distribuição medicamentos falsificados para o cancro da próstata, para baixar o colesterol, proteger contra ataques de coração ou AVC, tratar sintomas de doenças psicóticas, como a esquizofrenia e outras doenças mentais.

Na altura da gripe das aves, o Tamiflu foi um dos mais falsificados porque a procura era grande e a oferta reduzida. E é claro que os tratamentos para a disfunção eréctil são muito procurados, particularmente na internet, pela sua confidencialidade.

Exteriormente são exactamente iguais, e há lucro suficiente neste negócio para que os criminosos façam cópias perfeitas das embalagens. Quanto ao que está dentro da "pastilha", também é muito difícil de detectar sem recorrer a testes laboratoriais caros, o que faz com que haja um risco omnipresente de que estes produtos entrem na corrente legal de fornecimentos, ficando misturados com produtos legítimos com resultados potencialmente desastrosos para a saúde pública.

A ineficiência dos tratamentos pode levar os pacientes à morte, pela doença que não é tratada, mas também há casos de produtos que contém substâncias tóxicas.

Os estudos indicam que a produção e distribuição de medicamentos falsificados é aproximadamente 15 vezes mais rentável que o tráfico de cocaína.

É um crime organizado e poderoso. Sendo o risco de detecção relativamente baixo quando comparado com os potenciais ganhos económicos, é um negócio mais do que apetecível e que tende a crescer.

A internet é um meio extraordinário de comercializar medicamentos contrafeitos e ilegais. A OMS descobriu que mais de 50% dos medicamentos comprados em sites virtuais que escondem a sua verdadeira morada são de contrafacção.

O público deve seguir alguma regras de precaução quando compra remédios na net: se o site não tem um endereço de uma morada física, a probabilidade de receber um produto falso é grande.

Embora falsificar medicamentos já seja ilegal a nível nacional em muitos países, faltava um instrumento legal específico e de cariz internacional, que tornasse mais fácil lutar contra as operações internacionais de criminosos que não conhecem fronteiras: o CoE criou o primeiro tratado – a Convenção Medicrime -, que visa criminalizar a produção e distribuição de todos estes produtos contrafeitos, com penas graves proporcionais aos danos sofridos, proteger as vítimas e testemunhas, promovendo igualmente um palco para a cooperação internacional entre as autoridades de saúde e de segurança.

A convenção, que será adoptada formalmente ainda este ano, será assinada por todos os Estados, espera-se.

Portugal tem sido um dos países que mais apoio tem dado ao conselho nesta área, nomeadamente através do Infarmed, que ainda recentemente organizou, em parceria, um encontro de formação para responsáveis da polícia, do combate ao tráfico de drogas e de alfândegas de toda a Europa, África e ainda América Latina.


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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

« EINHEIT MACHT STARK = A UNIÃO FAZ A FORÇA »

Christian Wulff, Angela Merkel e Norbert Lammert
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Parlamento alemão festeja os 20 anos da reunificação

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"Vinte anos depois da reunificação, estamos perante a enorme tarefa de encontrar uma nova solidariedade numa Alemanha que faz parte de um mundo que está em mudança a grande velocidade", declarou o chefe de Estado em Bremen, aplaudindo a "coragem" dos que derrubaram a ditadura comunista.

No seu discurso perante 1.400 convidados, Christian Wulff defendeu que "atualmente o Islão também faz parte da Alemanha", a par da cultura judaico-cristã.

A primeira economia europeia tem atualmente cerca de 4 milhões de muçulmanos em 82 milhões de habitantes e a integração tem sido um tema em debate.

Citando Goethe
, Wulff reconheceu que "Oriente e Ocidente não podem estar separados" e pediu mais esforços aos estrangeiros para a integração e mais tolerância por parte dos alemães.

A chanceler Angela Merkel, membros do seu governo e figuras da liderança da União Europeia, como o presidente da UE, Herman Van Rompuy, participaram nas celebrações, organizadas todo os anos por um estado regional diferente.

Wulff sublinhou o papel desempenhado há 20 anos por países como a Polónia e a Hungria bem como pelo dirigente soviético Mikhal Gorbatchev, na queda da "cortina de ferro" e no regresso da democracia à Europa.

Merkel, de 56 anos, que cresceu na Alemanha de Leste, contou numa entrevista publicada hoje pelo jornal Bild como a sua vida mudou depois da reunificação: "Subitamente, podia fazer coisas que nunca tinha imaginado", disse, apontando como exemplo viajar para os Estados Unidos.

O presidente norte-americano, Barack Obama, saudou a "coragem e a convicção do povo alemão que derrubou o muro de Berlim, pondo fim a décadas de separação dolorosa e artificial".

Paris apontou a reunificação como "um sucesso" e considerou que atualmente a relação franco-alemã é "mais valiosa do que nunca".

O presidente russo, Dmitri Medvedev, também felicitou Berlim, afirmando que a reunificação permitiu estabelecer "uma parceria estratégica" entre a Alemanha e a Rússia.

Hoje à noite realiza-se uma outra cerimónia de celebração dos 20 anos de reunificação alemã junto ao Bundestag (parlamento) em Berlim.

Uma
sondagem divulgada sexta-feira pela cadeia de televisão ZDF revela que 84 por cento dos alemães apoiam a reunificação do país, contra 14 por cento que a lamentam.

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[Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Lusa]





O chanceler Otto Eduard von BISMARCK
[obreiro de uma Alemanha Unida]

(1815 - 1898)
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Autor do Lema
« A União Faz a Força = Einheit Macht Stark »




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Bismarck é uma daquelas raras figuras que deram nome a toda uma época. Político e diplomata ágil, este aristocrata prussiano, reconhecido como o pai do Império Alemão, é uma peça-chave para se entender a história complexa da segunda metade do Século XIX. .
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Quando, em 1862, Otto Eduard von Bismarck-Schonhausen foi nomeado chanceler, a Prússia era a mais débil das cinco potências europeias. Em apenas uma década, graças à sua engenhosa e enérgica administração, um império alemão emergiu no coração da Europa para se converter na nação mais poderosa do continente europeu. .
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O artífice deste primeiro
milagre alemão nasceu em Shonhausen, Brandemburgo, a 1 de Abril de 1815, no seio de uma família da aristocracia latifundiária.
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Para levar a cabo os seus planos, este político prussiano serviu-se tanto da diplomacia como das armas: «
As grandes questões do nosso tempo não se solucionarão com discursos nem com soluções escolhidas pela maioria, mas com sangue e aço.» .
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Foi esta frase famosa, pronunciada diante do parlamento prussiano, que lhe valeu o sobrenome de « Chanceler de Ferro ». .
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Em apenas sete anos, Bismarck provocou e venceu três guerras; na primeira, arrebatou, numa aliança com a Áutria, as províncias de Schleswig e de Holstein à Dinamarca; dois anos depois, transformou as pretensões sobre estes mesmos territórios numa guerra, precisamente com a Áustria, a sua grande rival na aspiração de se criar uma Alemanha unida. .
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Alcançou finalmente o seu grande objectivo ao desencadear uma guerra contra os franceses para inflamar o nacionalismo no seu povo, tal como expôs com toda a franqueza nas suas memórias: «Estava convencido de que, para superar o abismo aberto entre o Norte e o Sul da Alemanha pelas duas confederações, era imprescindível uma guerra com o país vizinho.» .
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Adoptou a estratégia de forçar sempre os seus adversários a tomarem a iniciativa. Como diplomata, escolheu uma táctica que se tornou célebre: valer-se de uma desabusada sinceridade para dissimular as suas verdadeiras intenções. . A sua sofisticada política de alianças - os «Sistemas Bismarckianos» -, aplicada na Europa como no mundo extra-europeu submetido ao Novo Imperialismo, transformou Berlim na capital diplomática do planeta e deixou-o agir durante quase vinte anos como o árbitro das relações internacionais. .
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Na política interna também mostrou a sua determinação sempre que era necessário ultrapassar obstáculos: enfraqueceu os socialistas estabelecendo um amplo e pioneiro sistema de protecção social - uma espécie de socialismo de Estado (para agrado das classes operárias) -, os liberais pondo em dúvida o seu patriotismo, enquanto os católicos sentiram o peso da sua cólera na guerra religiosa chamada
Kulturkampf. .
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Apesar de ter evitado várias vezes o começo de uma conflagração internacional, apoiou-se em tratados com cláusulas secretas que acabaram por criar blocos de potências que conduziram indubitavelmente à Primeira Guerra Mundial, após o seu afastamento da chancelaria em 1890. .
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Com a unificação realizada por Bismarck, dá-se início a um período económico especialmente importante para a Alemanha, que soube aproveitar os recursos naturais de que dispunha para acelerar a Revolução Industrial no país.
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A união como país só teve lugar em 1871, mas os 39 estados alemães já tinham criado em 1834 uma união aduaneira que possibilitou a livre circulação de mercadorias.
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Dessa data em diante, as indústrias metalúrgica e naval experimentaram um enorme crescimento, impulsionadas sobretudo pelo Governo.
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Nesse ambiente de desenvolvimento, os movimentos artísticos na Alemanha passaram por um período de transição. Após o refluxo da corrente romântica, que prosperou de maneira notável em terras germânicas, foi necessário esperar até aos primeiros anos do século XX para voltar a surgir um novo estilo. .
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Nesses anos, a arquitectura civil caracterizava-se por edifícios imponentes, de corte clássico, com linhas rectas e simples. A Alemanha, que derrotara a França em 1870, parecia querer tornar-se a herdeira do seu estilo. O maior expoente desta arquitectura é o edifício do parlamento alemão: o Reischstag, construído em 1894 e restaurado em diversas fases até adquirir o aspecto actual, com a cúpula característica. .
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Exactamente o Edifício que este post apresenta na segunda fotografia, no início do texto, altamente engalanado para celebrar o 20º. aniversário da reunificação alemã. .
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Por vezes costumo dizer que um post de blog não é nenhuma tese de doutoramento e, por isso, concluo estes dois Tempos históricos de conjugar o verbo «unificar», tentando de forma modesta deixar no ar a comparação de duas épocas e as lições e avisos que a História nos dá (...)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

« A ESCOLA AINDA NÃO É PARA TODOS »

Fortino Mario Alfonso Moreno Reys
« CANTINFLAS»
(1911 - 1993)
Actor e humorista mexicano

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Um filme humorístico e simultâneamente dramático pela denúncia - que se mantém actual - aos entraves que a Educação sofre das mais diversas maneiras




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A Escola ainda não é para todos, porque muito embora os nossos filhos tenham regressado às aulas, há cerca de sessenta e nove milhões de crianças no mundo que não têm essa oportunidade.
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Então se nasceram raparigas e em países como o Afeganistão, ou o Paquistão - são exemplos -, aprender é-lhes vedado. E o mais grave é que em lugar de diminuir, o número aumenta, como efeito colateral de uma crise económica mundial, que leva a que os países esqueçam que subscreveram os Objectivos do Milénio, revela o relatório "Back to School", da Global Campaign for Education - (CGE) Campanha Global pela Educação, que é uma coligação internacional de organizações não governamentais, sindicatos, instituições escolares e movimentos sociais de todos os tipos, empenhada na luta pelo direito à educação.
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Esta coligação nasceu em 1999 com o propósito de exigir dos governos o acesso e o usufruto do direito à educação para todos.
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Reclama que se ponha em prática todas as declarações que emergiam de fóruns e cimeiras internacionais até à data.
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Em Portugal, a CGE é implementada por uma plataforma de organizações da sociedade civil.
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E... o que temos a ver com isso? Tudo! O ciclo de pobreza só se corta com crianças alfabetizadas, capazes de garantir o desenvolvimento dos seus países.
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Se lhes retirarmos apoio, e por maioria de razão quando já enfrentam problemas acrescidos, mergulham de novo na miséria.
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E a miséria é o combustível da guerra, do terrorismo, das epidemias, da emigração clandestina e de todos os males que, mesmo o mais acomodado do europeu, quer longe da sua porta.
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Por solidariedade, sentido de justiça, ou até egoísmo, temos de pressionar os nossos políticos a cumprirem as promessas que fizeram!
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Em nosso nome (...)



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Reproduzimos seguidamente, dois de onze episódios do filme intitulado «EL PROFE » [O Professor].

.Considerada uma película cómica, tal não é bem assim, porque o tema tratado é demasiado sério para se confundir com comicidades. Por alguma razão suspeita este filme desapareceu das séries que muitos produtores de programas costumam repetir.

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É a saga de um abnegado Professor que consagrou a sua vida ao ensino, sacrifica a comodidade de uma cidade grande para marchar até ao povoado de Romeral, onde são necessários os seus serviços. Ali vai ter de enfrentar o poderoso cacique local, interessado em fomentar a ignorância aos seus habitantes.
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Gostaríamos de mostrar o filme todo, mas ninguém iria (ter TEMPO) ver! Mesmo assim, consideramos um abuso apresentar, logo dois episódios! Dá para passar à frente, apreciar e sentir que muitas cenas serão para ir às lágrimas, mas não com vontade de rir! O YouTube tem lá tudo! Desde Sócrates, o Professor mexicano - Cantinflas -, começar a dar aulas num espaço que acabou por lhe ser tirado para dar lugar a um antro de pândega, passando ao improviso de, na sua persistência, fazer uma escola campal! Ao ar livre! Mesmo assim... incendiaram o fraco equipamento da 'Escola acampamento' e... foram ainda mais longe: raptaram o professor!!...
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... O final da história traz, felizmente, uma moral! Os maus foram descobertos e a Justiça conseguiu ser feita (...)
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Valha-nos a consolação de assistirmos à vitória do Bem, pelo menos em filme!.


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Este Actor foi considerado por Charlie Chaplin - Charlot - um dos maiores intérpretes de todos os tempos no seu género de representação e estilo

sábado, 18 de setembro de 2010

« O ÚLTIMO DOS CAVALOS SELVAGENS: ' PRZEWALSKI ' »

Pintura rupestre numa gruta da Ásia, representando a espécie cavalar a que milhares de anos depois se denominou " Przewalski "

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Coronel Russo Nicolai Przewalski (1839 - 1888) que descobriu esta 'nova' espécie de cavalos em 1881 nas suas explorações pela Mongólia e Noroeste da China. Estes animais foram perseguidos pela actividade da Caça devido à qualidade da sua carne, não tendo sido nunca utilizados como animais de sela, ou de tracção, devido à sua 'personalidade' indomável

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Exemplares da raça cavalar "Przewalski "
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..Um Amor que vem da Pré-História

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O cavalo-de-Przewalski, descrito em 1879 pelo coronel Przewalski na sua viagem de regressa da Mongólia, pertence à família dos equídeos que também englobam as zebras e os burros selvagens.

Ao contrário de outros cavalos como os Mustang (nascidos como animais domésticos e depois voltados ao seu estado selvagem), estes nunca foram domesticados.

Este pormenor faz com que esta espécie de cavalos seja reconhecida como a única espécie selvagem no mundo.

Há milhares de anos, esta espécie de cavalos corriam livremente nas zonas da Ásia Central e da Europa (como demonstram as pinturas famosas e rupestres do sul da França e do norte de Espanha).

Já há muitos anos que este cavalo não se encontra em liberdade em nenhuma zona da Europa. Os últimos foram observados nos anos 70 em Dzungaria (Mongólia).

As organizações internacionais de conservação da Natureza consideram o cavalo-de-Przewalski como uma das espécies mais ameaçadas do mundo. Graças a estas associações, a espécie pôde ser salva da extinção. Mas, actualmente, infelizmente, não encontramos nenhum exemplar sem ser em cativeiro.

Este modo de vida põe em grave perigo o futuro desta espécie de cavalos. Por isso, estão a ser elaborados planos de reintegração desta espécie para que possam estar em liberdade, principalmente na Mongólia e na China, apesar de estes projectos serem difíceis de realizar e demorarem muito tempo a serem iniciados.

O cavalo-de-Przewalski difere geneticamente do cavalo domesticado porque tem sessenta e seis cromossomas e não sessenta e quatro. A sua aparência revela vários detalhes “primitivos”: Uma cabeça grande (que não está proporcionada ao resto do corpo), os seus olhos estão colocados em altura, as suas orelhas são largas, um pescoço espesso e um corpo compacto onde se destacam as patas, que são proporcionalmente mais curtas.

Ninguém conseguiu alguma vez montá-lo ou domá-lo.

O cavalo-de-Przewalski é capaz de sobreviver com pequenas rações e pode aguentar temperaturas muito quentes e muito frias.


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Entretanto, no programa orientado para impedir a sua extinção, Portugal acolheu quatro cavalos selvagens que seguiram para o Alentejo, com destino à coudelaria de Alter do Chão.
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Vieram da China e da Inglaterra. A 'Suzannah' é uma égua de 17 anos. O 'Desejado' é seu filho e nasceu o ano passado. O 'Brasão' é o outro selvagem do reduzido grupo de Alter.
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O grupo que inicialmente foi colocado no Alentejo incluía as fêmeas 'Suzannah', 'Mo', 'Virgínia' e o macho 'Sirano'.
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Desse grupo restam 'Suzannah' e 'Sirano'. Nestes dez anos em Portugal nasceram dez crias, incluindo dois nado-mortos. Uns morreram. Outros foram conduzidos para Espanha.
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A vinda para o nosso país fez-se ao abrigo do Programa Europeu de Reprodução, conduzido pela Associação Europeia de Jardins Zoológicos e Aquários.
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A coudelaria de Alter do Chão candidatou-se a participar nesse programa com vista a perpetuar a espécie de "Przewalski". No entanto, os quatro cavalos selvagens vivem no Alentejo, mas não se sabe até quando porque, a reprodução não correu como se desejava e como era lícito supor.
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Isto significa que, estes cavalos tendem também a desaparecer do território português (...)
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Diz-se que o antepassado selvagem dos actuais cavalos domésticos pertenceram, exactamente, à família dos "Przewalski" e foram declarados extintos no decorrer do Século XIX.
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O último - que estava em cativeiro -, morreu em 1909 num jardim zoológico da Rússia.
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Apesar de todas as dificuldades que este animais atravessaram ao longo dos milénios, incluíndo as perseguições dos depredadores da caça, estes heróicos animais conseguiram chegar aos nossos dias como passagem do testemunho dos homens do Paleolítico que nos transmitiram por via da Arte - Pinturas Rupestres -, a existência destes seres cheios de dignidade... que nunca se deixaram dominar por ninguém (...)






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"OBRIGADO"










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Fotos in: Net

Parte do texto, adaptado do
"O Zoófilo", Orgão Oficial da
Sociedade Protectora dos Animais
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de que o Autor do Blogue é Sócio.


sábado, 11 de setembro de 2010

« HOMENAGEM às VÍTIMAS e FAMÍLIAS do TERROR do 11/9 »

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.O 11 de Setembro de 2001 foi sem dúvida uma página da História Universal que se viu escrita a sangue (...)



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> Uma Flor sentida <

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O colapsar do WTC (World Trade Center) e de parte do Pentágono, mostrou ao mundo a vulnerabilidade das grandes potências. Aliás, para mim, ao contrário de muitos amigos da minha geração para quem a Nação Norte Americana era o "El Dourado", este mito do "American Way of Life" sempre me pareceu uma ilusão caleidoscópica a que muitos andavam agarrados. Com o ruir do WTC ruiu também o sentimento de confiança que a América mantinha na sua própria invulnerabilidade.
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Nunca me identifiquei muito com a distintíssima visão do grande pensador Alexis de Tocqueville (29/7/1805 - 16/4/1859) - Alexis Henri Charles Clérel, Visconde de Tocqueville que, no Século XIX, retratou os E.U.A. como o país por excelência da liberdade.
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Compartilhei mais o modo de ver de Noam Avram Chomsky (Pennsylvania, 7/12/1928) que, vislumbrou o povo Norte Americano como materialista, egoísta e individualista que potenciou que as rédeas de Ronald Reagan, Bush pai e Bush filho levassem esta Nação a uma violenta crise de auto-estima que começou com a tragédia do 11/9/ 2001 e se prolongou até à crise capitalista despoletada pelas fraudes financeiras descobertas na esteira de Bernard Madoff, que ocasionaram metásteses pelo resto do planeta!
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Os E.U.A. estão longe de servir de paradigma Civilizacional. Tornaram-se mais modestos e mais prudentes com o Presidente Barack Obama é certo, mas precisam de se concentrar mais na casa comum da Humanidade que é o nosso planeta, se se querem ver reconhecidos como autoridades morais! Têm, portanto, um longo caminho a percorrer, de forma a acabar com a instabilidade social e emocional do seu povo fardado e à paisana e, também, no que se repercute pelo resto do mundo.
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Em poucos minutos, a barbárie provocou o mais grave atentado terrorista de todos os tempos, que fez também explodir o sentimento de invencibilidade dos norte-americanos, 8 meses depois da chegada de George W. Bush à Casa Branca.
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De hoje a um ano, Marco Zero, o Memorial de 11 de Setembro, de mais de 32 mil m2, será inaugurado no Aniversário dos 10 anos do ataque terrorista, em memória das cerca de três mil vidas que ali pereceram.
Com confiança... e muita esperança...


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A LIBERDADE MERECE

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

« TRIBUNAL EUROPEU PROÍBE CRUCIFIXOS NAS ESCOLAS »


AULAS SEM CRUZES ...

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Itália multada


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A decisão do Tribunal Europeu decorre da queixa de Soile Lautsi, que, em 2002, considerou a presença de um crucifixo na sala de aula do filho contrária aos princípios com que pretendia educá-lo. Depois de apresentar um protesto formal, a direcção da escola decidiu manter o símbolo. Quando o governo do país considerou a decisão "natural" - por ser um símbolo da única igreja citada na constituição italiana -, Lautsi levou o caso ao Tribunal Constitucional (que afirmou não ter jurisdição sobre o assunto) e depois ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, em Estrasburgo. Reconhecida legitimidade à queixa, o estado italiano foi condenado a pagar uma indemnização de 5 mil euros à mãe do rapaz. Embora reconhecendo que a exibição do crucifixo "pode ser encorajadora para os alunos religiosos", os juízes consideraram que pode também ser "incómoda" para os fiéis de outras religiões ou para os ateus.

À excepção dos dois partidos comunistas do país, a Itália já rejeitou a condenação, com a ministra da Educação, Mariastella Gelmini, a defender que "a presença de crucifixos nas aulas é um símbolo da tradição" do país. "A decisão do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos está impregnada de ideologia", afirmou.


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... ou a cruz das aulas...?



+O+

A Itália foi condenada pelo Tribunal Europeu de Justiça por ainda ousar ter crucifixos nas salas de aula, considerando-os susceptíveis de perturbarem "as crianças de outros credos".
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Esta decisão, curiosamente, indignou fortemente as autoridades italianas que a classificaram de absurda, vergonhosa e pagã, pelo que o próprio Governo pretende recorrer da sentença.
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A ministra da educação reconhece no crucifixo um símbolo da herança cultural, cujas tradições têm percorrido e permanecido ao longo dos séculos.
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Será que a Corte Europeia dos Direitos Humanos ignora o papel essencial do cristianismo na formação da identidade europeia dos dois últimos milénios da nossa História?
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Numa época em que se luta desesperadamente pela saída do abismo e do vazio espiritual em que alguns pensadores lançaram a Europa, nada mais inadequado do que extinguir e banir a única referência que deu corpo a um conceito de dignidade, numa abrangência de respeito, afecto, igualdade e amor que faz deste continente um espaço privilegiado de saber, razão, fé e tolerância.
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Toda a História da Igreja faz parte integrante do contexto geral, cultural e político em que a humanidade viveu cada época ao longo do seu peregrinar na Terra, através dos tempos, rumo a um fim sem tempo, porque infinitamente sobrenatural.
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Renegá-lo é ignorar ou fazer apagar a memória do todo que ele reflecte, representa e do qual se constrói a origem e a essência da nossa identidade geográfica.
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« Mais uma vez, o Senhor... foi condenado... »
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O drama do repúdio do Salvador não é novo, sempre as concepções políticas modernistas de todas as épocas na História que flui, não estiveram à altura de compreender a mensagem dos que ousam superar-se e transcender a barreira do quotidiano limitado, caduco e imperfeito.
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A dimensão dos valores éticos e políticos burilada pelo religioso colide e ameaça os homens, cuja mentalidade não vai além do simples preconceito, ficando muito aquém da abertura a níveis superiores de entendimento que supera os liames fechados em que sonham reinar.
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Com ou sem cruzes a Igreja de Cristo existirá até ao fim dos tempos e as salas de aula, sob um inóspito clima de ausência de valores, reflexo do que prolifera nas sociedades ditas modernas, estão condenadas a um Inferno ao vivo.
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Talvez as abóboras do Halloween ou, quiçá, a planta da cannabis corresponda melhor ao espectro de uma sala de aula onde toda e qualquer hipótese de ensinar é sobejamente abafada, ameaçada, para não dizer crucificada.
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Aulas sem cruzes seriam salas com condições, alunos educados e estimulados para aprender e, de preferência, com a felicidade de terem pais que lhes tenham ensinado a diferença entre sala de aula e recreio, entre Escola e Estádio de Futebol e que também lhes tenham transmitido o valor da honestidade do trabalho, o amor ao saber, o respeito por si próprio, pelos outros e por toda a Humanidade em geral.





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Dois milénios de História p/o caixote do lixo

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