quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

« PRESIDENTA ou NÃO (...) EIS a QUESTÃO: MAS É PRESIDENTA, SIM! »


  DILMA  ROUSSEFF  -  CHEFE  do  ESTADO do BRASIL



 = O =




 Lição da Língua Portuguesa
O novo acordo não o previa .... mas com a língua de Camões, não se brinca

   Com a palavra os professores de língua portuguesa: António Oirmes Ferrari, Maria Helena e Rita Pascale
   
       Presidenta ??? Vale a pena ler pela aula de português ...

Queridos Amigos,

Tenho notado, assim como aqueles mais atentos também devem tê-lo feito, que a candidata Dilma Rousseff e seus sequazes, pretendem que ela venha a ser a primeira presidenta do Brasil, tal como atesta toda a propaganda política veiculada pelo PT na mídia.

 Presidenta???

 Mas, afinal, que palavra é essa totalmente inexistente em nossa língua?
 
Bem, vejamos:  No português existem os particípios ativos como derivativos verbais. 
Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante...

Qual é o particípio ativo do verbo ser? O particípio ativo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.

Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte.

Portanto, à pessoa que preside é PRESIDENTE, e não "presidenta"  independentemente do sexo que tenha. 

Se diz capela ardente, e não capela "ardenta"; se diz estudante, e não "estudanta"; se diz adolescente, e não "adolescenta"; se  diz paciente, e não "pacienta".

 Um bom exemplo seria:

 "A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco
 pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada
 representanta.

 Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois
 esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas,
 não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta."








O Brasil ainda está longe da feminização da língua ocorrida em outros lugares. Dilma Rousseff adotou a forma “presidenta”, que assim seja chamada.

Se uma mulher e seu cachorro estão atravessando a rua e um motorista embriagado atinge essa senhora e seu cão, o que vamos encontrar no noticiário é o seguinte: “Mulher e cachorro são atropelados por motorista bêbado”. Não é impressionante? Basta um cachorro para fazer sumir a especificidade feminina de uma mulher e jogá-la dentro da forma supostamente “neutra” do masculino. Se alguém tem um filho e oito filhas, vai dizer que tem nove filhos. Quer dizer que a língua é machista? Não, a língua não é machista, porque a língua não existe: o que existe são falantes da língua, gente de carne e osso que determina os destinos do idioma. E como os destinos do idioma, e da sociedade, têm sido determinados desde a pré-história pelos homens, não admira que a marca desse predomínio masculino tenha sido inscrustada na gramática das línguas.

Somente no século XX as mulheres puderam começar a lutar por seus direitos e a exigir, inclusive, que fossem adotadas formas novas em diferentes línguas para acabar com a discriminação multimilenar. Em francês, as profissões, que sempre tiveram forma exclusivamente masculina, passaram a ter seu correspondente feminino, principalmente no francês do Canadá, país incomparavelmente mais democrático e moderno do que a França. Em muitas sociedades desapareceu a distinção entre “senhorita” e “senhora”, já que nunca houve forma específica para o homem não casado, como se o casamento fosse o destino único e possível para todas as mulheres. É claro que isso não aconteceu em todo o mundo, e muitos judeus continuam hoje em dia a rezar a oração que diz “obrigado, Senhor, por eu não ter nascido mulher”.

Agora que temos uma mulher na Presidência da República, e não o tucano com cara de vampiro que se tornou o apóstolo da direita mais conservadora, vemos que o Brasil ainda está longe da feminização da língua ocorrida em outros lugares. 

Dilma Rousseff adotou a forma presidenta, oficializou essa forma em todas as instâncias do governo e deixou claro que é assim que deseja ser chamada. Mas o que faz a nossa “grande imprensa”? Por decisão própria, com raríssimas exceções, como Carta Capital, decide usar única e exclusivamente presidente. E chovem as perguntas das pessoas que têm preguiça de abrir um dicionário ou uma boa gramática: é certo ou é errado? Os dicionários e as gramáticas trazem, preto no branco, a forma presidenta. Mas ainda que não trouxessem, ela estaria perfeitamente de acordo com as regras de formação de palavras da língua.

Assim procederam os chilenos com a presidenta Bachelet, os nicaraguenses com a presidenta Violeta Chamorro, assim procedem os argentinos com a presidenta Cristina K. e os costarricenses com a presidenta Laura Chinchilla Miranda. 

Mas aqui no Brasil, a “grande mídia” se recusa terminantemente a reconhecer que uma mulher na Presidência é um fato extraordinário e que, justamente por isso, merece ser designado por uma forma marcadamente distinta, que é presidenta. 

O bobo-alegre que desorienta a Folha de S.Paulo em questões de língua declarou que a forma presidenta ia causar “estranheza nos leitores”. Desde quando ele conhece a opinião de todos os leitores do jornal? E por que causaria estranheza aos leitores se aos eleitores não causou estranheza votar na presidenta?

Como diria nosso herói Macunaíma: “Ai, que preguiça…” Mas de uma coisa eu tenho sérias desconfianças: se fosse uma candidata do PSDB que tivesse sido eleita e pedisse para ser chamada de presidenta, a nossa “grande mídia” conservadora decerto não hesitaria em atender a essa solicitação. 

Ou quem sabe até mesmo a candidata verde por fora e azul por dentro, defensora de tantas ideias retrógradas, seria agraciada com esse obséquio se o pedisse. Estranheza? Nenhuma, diante do que essa mesma imprensa fez durante a campanha. 

É a exasperação da mídia, umbilicalmente ligada às camadas dominantes, que tenta, nem que seja por um simples – e no lugar de um – a, continuar sua torpe missão de desinformação e distorção da opinião pública.




Marcos Bagno -  professor de Linguística na Universidade de Brasília.
By: Blog Limpinho e Cheiroso






segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

« DILMA ROUSSEFF é PRESIDENTA do BRASIL LAICO »










Dilma manda tirar Bíblia 

e crucifixo 

do 

gabinete

PBAGORA 10/01/2011 00h01


Em sua primeira semana no Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff (foto) mandou tirar do seu gabinete a Bíblia e o crucifixo, o que, talvez, tenha sido a primeira vez que isso ali ocorre. 

Esse gesto pode ter várias interpretações, entre as quais a sinalização de que ela não aceitará em seu governo a ingerência de religiões e religiosos. O que não houve em sua campanha eleitoral, quando teve de se aproximar de líderes evangélicos e católicos para tentar convencê-los de que não vai se empenhar para a legalização do aborto.

Durante o vale-tudo da campanha, evangélicos acusaram Dilma de ser ateia, o que ela nunca admitiu. Mas certeza mudou o seu senso de religiosidade, ao menos de boca para fora, para não perder parte dos votos que herdou do Lula.

Em 2007, em entrevista à Folha de S.Paulo, ela afirmou ter ficado “durante muito tempo meio descrente”. Em abril de 2010, já em campanha, lembrou ter sido criada no catolicismo e que acreditava em uma força superior. “Estudei em colégio de freira. Sou católica.”

Em um dos seus discursos de posse, Dilma reafirmou o compromisso com a liberdade religiosa, o que seria desnecessário dizer, porque está previsto na Constituição.

A rigor, independente da crença ou descrença de Dilma, a Bíblia, o crucifixo e demais símbolos religiosos deveriam ser retirados não só do gabinete presidencial, mas de todas as repartições públicas, porque o Estado é laico.

Também está na Constituição.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

« HOMENAGEM BÚLGARA... À SUA "CONTERRÂNEA" »

 DILMA ROUSSEFF - Presidente do Brasil - «filha da terra» búlgara GABROVO



 Vista nocturna da cidade búlgara de Gabrovo



PLANTA da CIDADE



Com 60.000 habitantes, Gabrovo (foto e planta em cima) é uma pequena cidade búlgara cujos habitantes são mais conhecidos pela sua lendária avareza do que pelo interesse na política latino-americana. Mas tudo foi diferente com a eleição de Dilma Rousseff para a Presidência do Brasil. Desta vez tratava-se de uma "filha da terra".

Foi ali, junto ás montanhas dos Balcãs, que Petar Rousseff nasceu e viveu até emigrar para a Argentina e depois para o Brasil. Hoje é ainda possível encontrar ali alguns familiares do empresário pai de Dilma. É o caso de Ralista Neguentsova que disse a uma reportagem da AFP reproduzida pelo Jornal do Brasil ser «com muito orgulho que soubemos da vitória de Dilma Rousseff». Para a prima da nova Chefe do Estado brasileiro, esta é «uma mulher que funciona principalmente graças à sua coragem, ao seu carácter».

E nem o museu da cidade quis deixar de prestar homenagem a Dilma. Para tal, recebeu uma exposição de fotografias da antiga guerrilheira. «Fiquei surpreendida com a quantidade de visitantes», admitiu Toshka Kovatcheva. A mulher de um primo direito de Dilma, entretanto falecido, afirmou ainda esperar poder embreve reunir-se com a sua familiar brasileira.

Geralmente indiferente à política brasileira, durante a campanha para as presidenciais de Outubro de 2010 a imprensa búlgara não hesitou em colocar fotografias de Dilma nas primeiras páginas. E a candidata do PT retribuiu a gentileza, afirmando aos seus enviados especiais que deseja visitar o país do seu pai garantindo sentir-se «um pouco búlgara».

Petar Rousseff (aportuguesou o primeiro nome quando chegou ao Brasil) saiu da Bulgária em 1929, tendo vivido primeiro em França e na Argentina. Segundo o Jornal do Brasil, a sua família acreditava que ele estava morto. Só em 1948 Rousseff deu sinal de vida, através de uma carta para a mãe, na qual conta do seu sucesso empresarial e anunciava ter casado e ter três filhos. O pai de Dilma terá ainda tentado entrar em contacto com o filho que deixara na Bulgária, ainda na barriga da primeira mulher. 

Segundo Toshka Kovatcheva, Luben, falecido em 2007, chegou a ambicionar juntar-se ao pai no Brasil, mas o regime comunista da Bulgária não o terá permitido.

As autoridades de Gabrovo enviaram a Dilma - através do primeiro-ministro búlgaro, Boiko Borisov, que assistiu à tomada de posse da nova presidente brasileira - vários presentes, entre os quais uma árvore genealógica da família de Pedro Rousseff e uma fotografia da sua tia Vana.







-Fotos selecionadas na Net
-Texto adaptado da NS' nº260

sábado, 1 de janeiro de 2011

« DILMA ROUSSEFF... A GUERRILHEIRA na ORDEM e PROGRESSO »

 Presidente do Brasil a partir de hoje
DILMA ROUSSEFF 
nasceu em 14 de Dezembro de 1947


O PODER AQUI  É  NO FEMININO



Toma posse neste sábado, dia primeiro de Janeiro de 2011, a presidente eleita Dilma Roussef. E o que devemos esperar dela?

Como todo governante, o objectivo maior é fazer o país crescer sem que tenha pressões inflaccionárias. E melhorar a renda de seus cidadãos. Embora se tenha inveja do crescimento chinês (na casa dos dois dígitos), parece haver consenso que manter crescimento de uns 5% ao ano é um limite máximo para que a inflação fique ao redor de 4,5% ao ano. Com estes resultados, espera-se que o desemprego continue regredindo para algo como 4% da população economicamente activa, que seria uma condição de pleno emprego.

Uma das metas principais será a erradicação da pobreza extrema, o que significa incorporar à sociedade 18 milhões de pessoas que ainda vivem nesta situação de miséria. Segundo dados recentes, o governo Lula teria resgatado 28 milhões de pessoas nestas condições durante seus 8 anos de mandato, além de alçar 36 milhões de pessoas à condição de classe média. Concomitantemente, deverá haver um esforço para diminuir ainda mais as desigualdades regionais, com ênfase na população do nordeste.

Um factor interessante vem ocorrendo na demografia brasileira. As mulheres tem tido cada vez menos filhos, e a população economicamente activa deverá crescer pela incorporação dos nascidos nas duas décadas anteriores. Mesmo com o envelhecimento da população, mais pessoas entrarão na idade de trabalhar do que as que se aposentarão. Isto somado a menos crianças que demandarão suporte de bens públicos (educação, principalmente), até 2020 o factor “previdência” não será tão pressionado. Permanecem, no entanto, objectivos prioritários para os investimentos públicos, como os da melhoria da qualidade da educação (o Brasil ainda está em posição vexatória neste quesito), assim como a maior reivindicação da população, que é a melhoria do setor de saúde, este atrelado a investimentos em saneamento básico.

Grandes investimentos serão feitos no Rio de Janeiro, com a realização da Copa do Mundo de Futebol (2014) e Olimpíada (2016). Espera-se que a iniciativa privada tenha grande importância nestas acções, para evitar que o Estado se endivide ainda mais que os níveis actuais.

Será fundamental atrair investimentos externos, e minimizar o descompasso em que se encontra o actual câmbio para o incentivo das exportações.

Dilma parece mais técnica que Lula, mas obviamente está longe de ter seu carisma. E estão todos curiosos para acompanhar o comportamento de Lula fora do governo, já que ele foi o responsável pela eleição da primeira mulher para presidente do Brasil.

Vamos torcer todos a favor, pois só temos a ganhar com isto, inclusive as gerações seguintes.





In blogue:  «Passeando pelo cotidiano».

sábado, 18 de dezembro de 2010

« Mr. FELT... UM POLÍCIA [F.B.I.] INCORRUPTÍVEL ! »

EFEMÉRIDE


 "THE MAN THEY CALLED «DEEP THROAT"

WILLIAM MARK FELT  
( Imagens de duas épocas da sua vida)
"Garganta Funda"
(1913-2008)

[ O polícia que 'encostou' Richard Nixon à parede ]

 Distintivo do Federal Bureau of Investigation
F B I



 «Detective» Felt
perto do fim da sua Missão
(Pensamos que, o Mundo Livre lhe deve muito!)





 O homem que ficou conhecido como “Garganta Funda”

William Mark Felt, o antigo Director-adjunto do F.B.I. que denunciou, de forma clandestina, o ex-presidente norte-americano Richard Nixon, no escândalo Watergate, morreu aos 95 anos, no dia 18 de Dezembro de 2008. Faria hoje, noventa e sete anos.

Felt foi a fonte secreta de Bob Woodward e Carl Bernstein, os dois jornalistas do Washington Post que denunciaram o Caso Watergate. A sua identidade foi preservada durante muitos anos e revelada apenas há cinco, enquanto durante décadas a Imprensa americana brilhou triunfante, como tendo sido a autora do maior “furo” jornalístico de sempre!

Felt morreu numa quinta-feira em Santa Rosa, Califórnia, durante o sono, na sequência de problemas cardíacos, de consciência tranquila e feliz pelo dever cumprido,  por ter sido um  Agente da Justiça sério, num mundo alegadamente intocável e poderoso do planeta. 

Em 1972 e 1973, o jornal “Washington Post” publicou a história do envolvimento de Nixon no escândalo de espionagem político, com o assalto e as escutas à Sede eleitoral do partido Democrata, no edifício Watergate. 

Muitas das informações e pistas para essa investigação foram passadas pelo “Garganta Funda” ao então jovem repórter Bob Woodward, que, com Carl Bernstein, revelou o caso, que contribuiu, mais tarde, para a queda do então Presidente Richard Nixon. 

Felt admitiu em Abril de 2005 que era a “Garganta Funda”, ou seja, o informador secreto dos dois jornalistas. 

O escândalo e as tentativas da Casa Branca para encobrir o caso levaram à demissão de Richard Nixon, o primeiro presidente dos Estados Unidos a ser obrigado a fazê-lo, em Agosto de 1974.

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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

« RECLUSOS CHILENOS "SOTERRADOS" ao "AR LIVRE!" ... »





 Recluso agita a Bandeira Chilena na Penitenciária incendiada em Santiago



 Familiares de presos choram pela sua morte 





      O Chefe do Estado chileno viu-se confrontado com uma nova tragédia dentro do seu país, mas o final não foi feliz como no caso dos mineiros.

O Presidente, Sebastián Piñera, confirmou que já chega a 83 o número de mortos por causa de um incêndio que aconteceu após um motim na prisão de San Miguel, em Santiago.

Qualificou o acontecimento de "tremenda e dolorosa tragédia".

- “Não podemos seguir vivendo com um sistema prisional que é absolutamente desumano”.
Piñera fez o pronunciamento à porta de um dos hospitais para onde foram transferidos 14 feridos no incêndio.

Segundo o jornal chileno La Tercera, o fogo começou por volta das 4h30 (horas locais). Cerca de 200 presos foram retirados das suas celas para o pátio do presídio.

As mortes foram provocadas em sua maioria por asfixia, e a identidade das vítimas ainda não é completamente conhecida. O ministro da Saúde, Jaime Mañalich, esteve no local e disse que o incidente foi "o mais grave da história das prisões chilenas".

- Os 14 [feridos] estão com risco vital e foram transferidos para diferentes centros médicos na região metropolitana.

A polícia disse que o incêndio começou quando presos queimaram colchões em uma das alas do presídio, após uma zaragata.

Parentes dos 83 presos mortos agrediram as autoridades encarregadas de divulgar a lista de vítimas. Os familiares lançaram garrafas e pedras nos funcionários perto da prisão, segundo o relato feito por testemunhas aos meios de comunicação chilenos.

Um dos mais atingidos foi o intendente metropolitano, Fernando Echeverría, a quem os parentes insultaram e lançaram ovos e outros objetos. Echeverría disse antes de entrar  num veículo da polícia para escapar da ira dos familiares que conseguiu resgatar cerca de 65 presos do quarto andar da Torre 5, onde começou o incêndio.

A prisão de San Miguel está preparada para receber 1.100 presos, mas actualmente é ocupada por 1.961, uma circunstância que, segundo o director de Gendarmaria, Luis Masferrer Farías, "reflete a precariedade do sistema carcerário chileno".

O Presidente Sebastian Piñera prometeu reformar o sistema penitenciário do Chile.



 
O Presidente do Chile SEBASTIAN PIÑERA rodeado pela sua escolta






   Para lembrar quem é o actual Chefe do Estado Chileno, vamos aditar algumas notas:

Em entrevista concedida ao diário espanhol El Mundo no passado dia 1 de Julho, o candidato presidencial chileno da direita, Sebastián Piñera Echenique, afirmou:
«Fui sempre um opositor ao Governo de Pinochet, por duas razões fundamentais. Primeiro, porque nunca aceitei e sempre repudiei as violações sistemáticas, reiteradas e graves dos direitos humanos e, em segundo lugar, porque sempre acreditei que o melhor caminho para o Chile é a democracia, e o governo militar privou-nos da democracia durante 17 anos».

Dias antes, a 26 de Junho, respondendo a alusões do candidato presidencial da Concertación [N. do T.: Trata-se da coligação Concertación de Partidos por la Democracia], a respeito do processo por fraude contra o Banco de Talca e à multa por uso de informação privilegiada no caso da LAN Chile [N. do T.: Transportadora Aérea Nacional do Chile], Piñera retorquiu:

«Frei está mal informado. O Tribunal Supremo decretou de forma unânime a minha total inocência e tão pouco tive alguma vez algum problema com o uso de informação privilegiada».

Os documentos secretos do arquivo da sede local da CIA [Conf. os media] demonstram que, como é habitual nele, Sebastián Piñera está a faltar à verdade.

A respeito da primeira das suas afirmações, os documentos colocados a público pela imprensa e para conhecimento dos cidadãos, mostram não apenas que Piñera pertence à rede mais próxima de Pinochet, mas também denunciam, ou melhor, confirmam a relação directa entre essa afinidade e a origem da sua fortuna.

Para além disso, contribuem para explicar a antipatia visceral que a direita clássica e económica sente pelo candidato da direita política.

Se para a primeira se aplica o ditado “ave de mala ralea es la que emporca su propio nido” [N. Do T.: «a ave de má rês é a que suja o próprio ninho»], a segunda censura-lhe o morder a mão que lhe deu de comer.

No que respeita à resposta de Piñera a Frei, tão pouco é certo que o Supremo Tribunal tenha decretado a sua inocência. O que na verdade aconteceu é que uma secção desse tribunal acolheu um recurso de amparo [N. do T.: Trata-se de um mecanismo que permite aos cidadãos recorrer directamente para o Tribunal Constitucional quando está em causa uma violação grave dos seus direitos fundamentais] e por essa via interrompeu a investigação sobre a participação de Piñera.
Os documentos da CIA mostram não apenas a enormidade do nível de influências que se moveu, incluindo uma gestão de lobby do Embaixador dos EUA com o Presidente do Tribunal Supremo, mas também a operação de informação que o retirou do país quando tinha ordem de detenção, apesar da investigação judicial ter concluído com a condenação de dois dos envolvidos na fraude ao Banco de Talca, também mencionados nos documentos, que passaram um tempo considerável atrás das grades. 

Pensando um pouco sobre as ilustres personagens deste último parágrafo, esperemos não haver a desagradável possibilidade de os "Ficheiros" desenvolvidos pela WikiLeaks deitarem algum 'fumo' da sua chaminé. 

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

« O AMOR [de Pessoa] QUANDO SE REVELA »


 
 
 
O Amor Quando Se Revela

O amor, quando se revela,
não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente.
Cala: parece esquecer.

Ah, mas se ela adivinhasse,
se pudesse ouvir o olhar,
e se um olhar lhe bastasse
pra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
quem quer dizer quanto sente
fica sem alma nem fala,
fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
o que não lhe ouso contar,
já não terei que falar-lhe
porque lhe estou a falar...

-
Fernando Pessoa -