sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

« HOMENAGEM ao NASCIMENTO de ALMEIDA GARRETT »

 Estátua de Almeida Garrett localizada na Praça da Liberdade
na cidade do Porto 
 Portugal


 ALMEIDA  GARRETT
[Escritor, Dramaturgo, Poeta e Político]
(1799-1854)




João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett

Escritor e Dramaturgo romântico, foi o proponente da edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e da criação do Conservatório.

 
Nasceu no Porto, em 4 de Fevereiro de 1799;
morreu em Lisboa em 9 de Dezembro de 1854.




Filho segundo do selador-mor da Alfândega do Porto, acompanhou a família quando esta se refugiou nos Açores, onde tinha propriedades, fugindo da segunda invasão francesa, realizada pelo exército comandado pelo marechal Soult que entrando em Portugal por Chaves se dirigiu para o Porto, ocupando-o.

Passou a adolescência na ilha Terceira, tendo sido destinado à vida eclesiástica, devendo entrar na Ordem de Cristo, por intermédio do tio paterno, Frei Alexandre da Sagrada Família, bispo de Malaca e depois de Angra. 

Em 1816, tendo regressado a Portugal, inscreveu-se na Universidade, na Faculdade de Leis, sendo aí que entrou em contacto com os ideais liberais. Em Coimbra, organiza uma loja maçónica, que será frequentada por alunos da Universidade como  Manuel Passos. Em 1818, começa a usar o apelido Almeida Garrett, assim como toda a sua família.

Participa entusiasticamente na revolução de 1820, de que parece ter tido conhecimento atempado, como parece provar a poesia As férias, escrita em 1819. Enquanto dirigente estudantil e orador defende o vintismo com ardor escrevendo um Hino Patriótico recitado no Teatro de São João. Em 1821, funda a Sociedade dos Jardineiros, e volta aos Açores numa viagem de possível motivação maçónica. De regresso ao Continente, estabelece-se em Lisboa, onde continua a publicar escritos patrióticos. Concluindo a Licenciatura em Novembro deste ano.

Em Coimbra publica o poema libertino O Retrato de Vénus, que lhe vale ser acusado de materialista e ateu, assim como de «abuso da liberdade de imprensa», de que será absolvido em 1822. Torna-se secretário particular de Silva Carvalho, secretário de estado dos Negócios do Reino, ingressando em Agosto na respectiva secretaria, com o lugar de chefe de repartição da instrução pública. No fim do ano, em 11 de Novembro, casa com Luísa Midosi.

A Vilafrancada, o golpe militar de D. Miguel que, em 1823, acaba com a primeira experiência liberal em Portugal, leva-o para o exílio. Estabelece-se em Março de 1824 no Havre, cidade portuária francesa na foz do Sena, mas em Dezembro está desempregado, o que o leva a ir viver para Paris. Não lhe sendo permitido o regresso a Portugal, volta ao seu antigo emprego no Havre. Em 1826 está de volta a Paris, para ir trabalhar na livraria Aillaud. A mulher regressa a Portugal. 

É amnistiado após a morte de D. João VI, regressando com os últimos emigrados, após a outorga da Carta Constitucional, reocupando em Agosto o seu lugar na Secretaria de Estado. Em Outubro começa a editar «O Português, diário político, literário e comercial», sendo preso em finais do ano seguinte. Libertado, volta ao exílio em Junho de 1828, devido ao restabelecimento do regime absoluto por D. Miguel. De 1828 a Dezembro de 1831 vive em Inglaterra, indo depois para França, onde se integra num batalhão de caçadores, e mais tarde, em 1832, para os Açores integrado na expedição comandada por D. Pedro IV. Nos Açores transfere-se para o corpo académico, sendo mais tarde chamado, por Mouzinho da Silveira, para a Secretaria de Estado do Reino. 

Participa na expedição liberal que desembarca no Mindelo e ocupa o Porto em Julho de 1832. No Porto, é reintegrado como oficial na secretaria de estado do Reino, acumulando com o trabalho na comissão encarregada do projecto de criação do Códigos Criminal e Comercial. Em Novembro parte com Palmela para uma missão a várias cortes europeias, mas a missão é dissolvida em Janeiro e Almeida Garrett vence abandonado em Inglaterra, indo para Paris onde se encontra com a mulher. Só com a ocupação de Lisboa em Julho de 1833, consegue apoio para o seu regresso, que acontece em Outubro. Em Novembro é nomeado secretário da comissão de reforma geral dos estudos. Em Fevereiro do ano seguinte é nomeado cônsul-geral e encarregado de negócios na Bélgica, onde chega em Junho, mas é de novo abandonado pelo governo. Regressa a Portugal em princípios de 1835, regressando ao seu posto em Maio. Estava em Paris, em tratamento, quando foi substituído sem aviso prévio na embaixada belga. Nomeado embaixador na Dinamarca, é demitido antes mesmo de abandonar a Bélgica.

Estes sucessivos abandonos por parte dos governos cartistas, levam-no a envolver-se com o Setembrismo, dando assim origem à sua carreira parlamentar. Logo em 28 de Setembro de 1836 é incumbido de apresentar uma proposta para o teatro nacional, o que faz propondo a organização de uma Inspecção-Geral dos Teatros, a edificação do Teatro D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática. Os anos de 1837 e 1838, são preenchidos nas discussões políticas que levarão à aprovação da Constituição de 1838, e na renovação do teatro nacional.

Em 20 de Dezembro é nomeado cronista-mor do Reino, organizando logo no princípio de 1839 um curso de leituras públicas de História. No ano seguinte o curso versa a «história política, literária e científica de Portugal no século XVI».

Em 15 de Julho de 1841 ataca violentamente o ministro António José d'Ávila, num discurso a propósito da Lei da Décima, o que implica a sua passagem para a oposição, e o leva à demissão de todos os seus cargos públicos. Em 1842, opõem-se à restauração da Carta proclamada no Porto por Costa Cabral. Eleito deputado nas eleições para a nova Câmara dos Deputados cartista, recusa qualquer nomeação para as comissões parlamentares, como toda a esquerda parlamentar. No ano seguinte ataca violentamente o governo cabralista, que compara ao absolutista. 

É neste ano de 1843 que começou a publicar, na Revista Universal Lisbonense, as Viagens na Minha Terra, descrevendo a viagem ao vale de Santarém começada em 17 de Julho. Anteriormente, em 6 de Maio, tinha lido no Conservatório Nacional uma memória em que apresentou a peça de teatro Frei Luís de Sousa, fazendo a primeira leitura do drama.

Continuando a sua oposição ao Cabralismo, participa na Associação Eleitoral, dirigida por Sá da Bandeira, assim como nas eleições de 1845, onde foi um dos 15 membros da minoria da oposição na nova Câmara. Em 17 de Janeiro de 1846, proferiu um discurso em que considerava a minoria como representante da «grande nação dos oprimidos», pedido em 7 de Maio a demissão do governo, e em Junho a convocação de novas Cortes. 

Com o despoletar da revolução da Maria da Fonte, e da Guerra Civil da Patuleia, Almeida Garrett que apoia o movimento, tem que passar a andar escondido, reaparecendo em Junho, com a assinatura da Convenção do Gramido.

Com a vitória cartista e o regresso de Costa Cabral ao governo, Almeida Garrett é afastado da vida política, até 1852. Em 1849, passa uma breve temporada em casa de Alexandre Herculano, na Ajuda. Em 1850, subscreve com mais de 50 outras personalidades um Protesto contra a Proposta sobre a Liberdade de Imprensa, mais conhecida por «lei das rolhas». Costa Cabral nomeia-o, em Dezembro,  para a comissão do monumento a D. Pedro IV

Com o fim do Cabralismo e o começo da Regeneração,  em 1851, Almeida Garrett é consagrado oficialmente. É nomeado sucessivamente para a redacção das instruções ao projecto da lei eleitoral, como plenipotenciário nas negociações com a Santa Sé, para a comissão de reforma da Academia das Ciências, vogal na comissão das bases da lei eleitoral, e na comissão de reorganização dos serviços públicos, para além de vogal do Conselho Ultramarino, e de estar encarregado da redacção do que irá ser o  Acto  Adicional à Carta. Em 25 de Junho é agraciado com o título de Visconde, em duas vidas.

Em 1852 é eleito novamente deputado, e de 4 a 17 de Agosto será ministro dos Negócios Estrangeiros. A sua última intervenção no Parlamento será  em Março de 1854 em ataca o governo na pessoa de Rodrigo de Fonseca Magalhães.

Morre devido a um cancro de origem hepática, tendo sido sepultado no Cemitério dos Prazeres.





 Na cidade do Porto, na Rua Dr. Barbosa de Castro, nº 37, outrora Rua do Calvário (1679-1920), situa-se este prédio onde nasceu Almeida Garrett



Grande plano da placa comemorativa que entaipou uma janela para dar lugar à escultura evocativa da data e local do nascimento do Poeta



NOTA de FECHO:

A cidade do Porto soube perpetuar a memória da casa onde Almeida Garret nasceu. Lamentavelmente, Lisboa tem de envergonhar-se porque desprezou a preservação do edifício onde o Poeta faleceu, na Rua Saraiva de Carvalho, nº 68 , no Bairro de Campo de Ourique.

As autoridades camarárias e o proprietário do prédio - um Ministro da Economia da altura, em 2005 -, foram insensíveis às inúmeras petições de populares e de intelectuais de vulto, para se poupar o prédio à demolição!

A ganância do lucro imobiliário e a força do camartelo, foram maiores do que os superiores interesses da identidade cultural lisboeta.




Fotos: Selecionadas na Net
Texto: Organizado com o apoio do Dicionário de História 
           de Joel Serrão e da História da Literatura de Óscar
            Lopes.


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

DUAS GERAÇÕES SEM CONFLITOS: ADAMO & ISABELLE BOULAY

 SALVATORE  ADAMO



Salvatore Adamo (nascido em 01 de novembro de 1943 em Comiso, na Sicília, Itália) é um dos cantores de maior sucesso comercial na Europa. 

Adamo já vendeu mais de 100 milhões de cópias de seus álbuns em todo o mundo.
 
Seu primeiro sucesso foi "Sans toi, ma mie", em 1963, seguido de "Tombe la neige", "Vous permettez, Monsieur", "Les filles du bord de mer", "Mes mains sur tes hanches", "La nuit", "Inch'Allah" e "C'est ma vie". 

No Brasil, seu maior sucesso foi "F...Comme Femme".
 
Na década de 1980, a carreira de Adamo vacilou. Entretanto, em 1992 lançou um novo álbum, "Rêveur de fonds", que foi muito elogiado pela crítica. 

Com a popularidade em alta novamente, lançou, em 1994, o disco ao vivo "C’est ma vie".
 
Atualmente, o cantor vive na Bélgica e continua a fazer vários shows.



 ISABELLE  BOULAY




Isabelle Boulay (nascida em 06 de julho de 1972, em Sainte-Félicité, Quebec, Canadá) é considerada uma das melhores cantoras da sua geração.
 
Em 1996, lançou seu primeiro álbum, "Fallait Pas", seguido por "État D'Amour", em 1998.
 
Em 2000, com "Mieux Qu'Ici-Bas", ela ganhou 2 Victoires de la Musique.
 
Em 2004, lançou o álbum "Tout Un Jour", seguido por "De Retour À La Source" (2007) e "Nos Lendemains" (2008).



No clip abaixo, a dupla interpreta "C' est ma vie ", um dos maiores sucessos de Adamo

sábado, 22 de janeiro de 2011

O "SERIAL KILLER"... do AQUEDUTO das ÁGUAS LIVRES

 O Aqueduto das Águas Livres 
visto do vale de Alcântara 
 Lisboa


DIOGO ALVES, galego nascido em 1810, conhecido pela alcunha de "O Pancada", veio muito novo para Lisboa, onde serviu em algumas casas mais abastadas da época, e ficou para a história como o assassino do Aqueduto das Águas Livres, pois foi aí que, ao longo de três anos, perpetrou os crimes em série que o tornaram tão odioso como célebre.

Sabe-se que os assassinatos começaram em 1836, por volta da mesma altura em que Diogo Alves se envolveu amorosamente com a taberneira Gertrudes Maria (conhecida como a Parreirinha), cujo estabelecimento se situava na zona de Palhavã - perto de Sete Rios.

No entanto, desconhece-se ao certo como terá o meliante arranjado as chaves falsas das «mães de água», por onde depois se introduzia nas galerias do aqueduto, praticando assaltos e atirando as suas vítimas do topo do Arco Grande , a 65 metros de altura, para que não pudessem denunciá-lo.
Apesar de algumas fontes avançarem que, em 1837, Diogo Alves já teria morto mais de setenta pessoas, também não há certezas quanto ao total exacto de vítimas, já que as autoridades começaram por atribuir a invulgar sucessão de corpos encontrados no vale de Alcântara a uma onda de suicídios.

A passagem do aqueduto encurtava caminho à maioria dos transeuntes que, na sua maior parte, eram negociantes de hortaliças - os chamados saloios -, que se deslocavam a Lisboa para vender os seus produtos e regressavam a casa com o dinheiro das vendas.

Mais tarde, devido à agitação causada por tantas mortes, o aqueduto foi fechado à passagem de peões e assim se manteve durante décadas. Obrigado a mudar de esquema, Diogo Alves formou uma quadrilha e prosseguiu a sua carreira criminosa, acabando por ser preso e condenado à morte, em 1840, embora não pelos crimes cometidos no aqueduto (os quais não constam no processo): foi o massacre da família de um médico, durante um assalto em que se fizera acompanhar pelos seus cúmplices, que o levou à forca.

Foi executado na tarde de 19 de Fevereiro de 1841, no Cais do Tojo, o que lhe garantiu o privilégio de figurar como o último condenado à morte em Portugal.


 Cabeça de Diogo Alves conservada em formol 
exposta na Faculdade de Medicina 
de 
Lisboa


Após o enforcamento, cientistas de Lisboa deceparam a cabeça do bandido, com o intuito de estudarem as possíveis causas da sua malvadez - ao que se sabe, sem resultados. A cabeça, essa ainda existe, conservada em formol na Faculdade de Medicina de Lisboa.

A história do assassino do aqueduto deu origem a um filme mudo, «Os Crimes de Diogo Alves»



Cena do filme sobre a vida do Serial Killer 
Diogo Alves



Estreado com grande publicidade no Salão da Trindade, a 26 de Abril de 1911, dois anos após o abandono de um primeiro projecto cinematográfico com o mesmo título.

Rodado ao longo de três semanas no Aqueduto das Águas Livres e no Hipódromo do Bom Sucesso, a película de 287 metros foi um sucesso de bilheteira e é hoje o mais antigo filme português de ficção - baseado na realidade -, com cópia conservada.

Constam os registos de ter sido realizado por João Tavares e interpretado por Alfredo de Sousa (Diogo Alves), Amélia Soares (Parreirinha), Gertrudes Lima (criança testemunhadora), José Clímaco, Narciso Vaz e Artur Braga (membros da quadrilha) ; alguns destes, figuram na foto acima publicada. 

O filme custou 200 mil réis - que representavam ao câmbio de hoje, cerca de 2.500 euros.

Muito embora na história oficial - nossa fonte para este texto - conste que o julgamento não abordou nenhum crime ocorrido no aqueduto, tivémos acesso a um pequeno relato após a prisão de Diogo Alves, em que alguém, com poderes forenses, terá perguntado ao bandido se nunca teve pena de lançar as pessoas lá do alto do aqueduto, para a morte! 

Terá ouvido, a seguinte confissão: " Só de uma! Uma criança que tive de matar, para que não falasse!... Antes de a largar  para a queda da morte, a criança sorriu ingenuamente para mim, e eu senti pena!"

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

« PRESIDENTA ou NÃO (...) EIS a QUESTÃO: MAS É PRESIDENTA, SIM! »


  DILMA  ROUSSEFF  -  CHEFE  do  ESTADO do BRASIL



 = O =




 Lição da Língua Portuguesa
O novo acordo não o previa .... mas com a língua de Camões, não se brinca

   Com a palavra os professores de língua portuguesa: António Oirmes Ferrari, Maria Helena e Rita Pascale
   
       Presidenta ??? Vale a pena ler pela aula de português ...

Queridos Amigos,

Tenho notado, assim como aqueles mais atentos também devem tê-lo feito, que a candidata Dilma Rousseff e seus sequazes, pretendem que ela venha a ser a primeira presidenta do Brasil, tal como atesta toda a propaganda política veiculada pelo PT na mídia.

 Presidenta???

 Mas, afinal, que palavra é essa totalmente inexistente em nossa língua?
 
Bem, vejamos:  No português existem os particípios ativos como derivativos verbais. 
Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante...

Qual é o particípio ativo do verbo ser? O particípio ativo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.

Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte.

Portanto, à pessoa que preside é PRESIDENTE, e não "presidenta"  independentemente do sexo que tenha. 

Se diz capela ardente, e não capela "ardenta"; se diz estudante, e não "estudanta"; se diz adolescente, e não "adolescenta"; se  diz paciente, e não "pacienta".

 Um bom exemplo seria:

 "A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco
 pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada
 representanta.

 Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois
 esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas,
 não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta."








O Brasil ainda está longe da feminização da língua ocorrida em outros lugares. Dilma Rousseff adotou a forma “presidenta”, que assim seja chamada.

Se uma mulher e seu cachorro estão atravessando a rua e um motorista embriagado atinge essa senhora e seu cão, o que vamos encontrar no noticiário é o seguinte: “Mulher e cachorro são atropelados por motorista bêbado”. Não é impressionante? Basta um cachorro para fazer sumir a especificidade feminina de uma mulher e jogá-la dentro da forma supostamente “neutra” do masculino. Se alguém tem um filho e oito filhas, vai dizer que tem nove filhos. Quer dizer que a língua é machista? Não, a língua não é machista, porque a língua não existe: o que existe são falantes da língua, gente de carne e osso que determina os destinos do idioma. E como os destinos do idioma, e da sociedade, têm sido determinados desde a pré-história pelos homens, não admira que a marca desse predomínio masculino tenha sido inscrustada na gramática das línguas.

Somente no século XX as mulheres puderam começar a lutar por seus direitos e a exigir, inclusive, que fossem adotadas formas novas em diferentes línguas para acabar com a discriminação multimilenar. Em francês, as profissões, que sempre tiveram forma exclusivamente masculina, passaram a ter seu correspondente feminino, principalmente no francês do Canadá, país incomparavelmente mais democrático e moderno do que a França. Em muitas sociedades desapareceu a distinção entre “senhorita” e “senhora”, já que nunca houve forma específica para o homem não casado, como se o casamento fosse o destino único e possível para todas as mulheres. É claro que isso não aconteceu em todo o mundo, e muitos judeus continuam hoje em dia a rezar a oração que diz “obrigado, Senhor, por eu não ter nascido mulher”.

Agora que temos uma mulher na Presidência da República, e não o tucano com cara de vampiro que se tornou o apóstolo da direita mais conservadora, vemos que o Brasil ainda está longe da feminização da língua ocorrida em outros lugares. 

Dilma Rousseff adotou a forma presidenta, oficializou essa forma em todas as instâncias do governo e deixou claro que é assim que deseja ser chamada. Mas o que faz a nossa “grande imprensa”? Por decisão própria, com raríssimas exceções, como Carta Capital, decide usar única e exclusivamente presidente. E chovem as perguntas das pessoas que têm preguiça de abrir um dicionário ou uma boa gramática: é certo ou é errado? Os dicionários e as gramáticas trazem, preto no branco, a forma presidenta. Mas ainda que não trouxessem, ela estaria perfeitamente de acordo com as regras de formação de palavras da língua.

Assim procederam os chilenos com a presidenta Bachelet, os nicaraguenses com a presidenta Violeta Chamorro, assim procedem os argentinos com a presidenta Cristina K. e os costarricenses com a presidenta Laura Chinchilla Miranda. 

Mas aqui no Brasil, a “grande mídia” se recusa terminantemente a reconhecer que uma mulher na Presidência é um fato extraordinário e que, justamente por isso, merece ser designado por uma forma marcadamente distinta, que é presidenta. 

O bobo-alegre que desorienta a Folha de S.Paulo em questões de língua declarou que a forma presidenta ia causar “estranheza nos leitores”. Desde quando ele conhece a opinião de todos os leitores do jornal? E por que causaria estranheza aos leitores se aos eleitores não causou estranheza votar na presidenta?

Como diria nosso herói Macunaíma: “Ai, que preguiça…” Mas de uma coisa eu tenho sérias desconfianças: se fosse uma candidata do PSDB que tivesse sido eleita e pedisse para ser chamada de presidenta, a nossa “grande mídia” conservadora decerto não hesitaria em atender a essa solicitação. 

Ou quem sabe até mesmo a candidata verde por fora e azul por dentro, defensora de tantas ideias retrógradas, seria agraciada com esse obséquio se o pedisse. Estranheza? Nenhuma, diante do que essa mesma imprensa fez durante a campanha. 

É a exasperação da mídia, umbilicalmente ligada às camadas dominantes, que tenta, nem que seja por um simples – e no lugar de um – a, continuar sua torpe missão de desinformação e distorção da opinião pública.




Marcos Bagno -  professor de Linguística na Universidade de Brasília.
By: Blog Limpinho e Cheiroso






segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

« DILMA ROUSSEFF é PRESIDENTA do BRASIL LAICO »










Dilma manda tirar Bíblia 

e crucifixo 

do 

gabinete

PBAGORA 10/01/2011 00h01


Em sua primeira semana no Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff (foto) mandou tirar do seu gabinete a Bíblia e o crucifixo, o que, talvez, tenha sido a primeira vez que isso ali ocorre. 

Esse gesto pode ter várias interpretações, entre as quais a sinalização de que ela não aceitará em seu governo a ingerência de religiões e religiosos. O que não houve em sua campanha eleitoral, quando teve de se aproximar de líderes evangélicos e católicos para tentar convencê-los de que não vai se empenhar para a legalização do aborto.

Durante o vale-tudo da campanha, evangélicos acusaram Dilma de ser ateia, o que ela nunca admitiu. Mas certeza mudou o seu senso de religiosidade, ao menos de boca para fora, para não perder parte dos votos que herdou do Lula.

Em 2007, em entrevista à Folha de S.Paulo, ela afirmou ter ficado “durante muito tempo meio descrente”. Em abril de 2010, já em campanha, lembrou ter sido criada no catolicismo e que acreditava em uma força superior. “Estudei em colégio de freira. Sou católica.”

Em um dos seus discursos de posse, Dilma reafirmou o compromisso com a liberdade religiosa, o que seria desnecessário dizer, porque está previsto na Constituição.

A rigor, independente da crença ou descrença de Dilma, a Bíblia, o crucifixo e demais símbolos religiosos deveriam ser retirados não só do gabinete presidencial, mas de todas as repartições públicas, porque o Estado é laico.

Também está na Constituição.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

« HOMENAGEM BÚLGARA... À SUA "CONTERRÂNEA" »

 DILMA ROUSSEFF - Presidente do Brasil - «filha da terra» búlgara GABROVO



 Vista nocturna da cidade búlgara de Gabrovo



PLANTA da CIDADE



Com 60.000 habitantes, Gabrovo (foto e planta em cima) é uma pequena cidade búlgara cujos habitantes são mais conhecidos pela sua lendária avareza do que pelo interesse na política latino-americana. Mas tudo foi diferente com a eleição de Dilma Rousseff para a Presidência do Brasil. Desta vez tratava-se de uma "filha da terra".

Foi ali, junto ás montanhas dos Balcãs, que Petar Rousseff nasceu e viveu até emigrar para a Argentina e depois para o Brasil. Hoje é ainda possível encontrar ali alguns familiares do empresário pai de Dilma. É o caso de Ralista Neguentsova que disse a uma reportagem da AFP reproduzida pelo Jornal do Brasil ser «com muito orgulho que soubemos da vitória de Dilma Rousseff». Para a prima da nova Chefe do Estado brasileiro, esta é «uma mulher que funciona principalmente graças à sua coragem, ao seu carácter».

E nem o museu da cidade quis deixar de prestar homenagem a Dilma. Para tal, recebeu uma exposição de fotografias da antiga guerrilheira. «Fiquei surpreendida com a quantidade de visitantes», admitiu Toshka Kovatcheva. A mulher de um primo direito de Dilma, entretanto falecido, afirmou ainda esperar poder embreve reunir-se com a sua familiar brasileira.

Geralmente indiferente à política brasileira, durante a campanha para as presidenciais de Outubro de 2010 a imprensa búlgara não hesitou em colocar fotografias de Dilma nas primeiras páginas. E a candidata do PT retribuiu a gentileza, afirmando aos seus enviados especiais que deseja visitar o país do seu pai garantindo sentir-se «um pouco búlgara».

Petar Rousseff (aportuguesou o primeiro nome quando chegou ao Brasil) saiu da Bulgária em 1929, tendo vivido primeiro em França e na Argentina. Segundo o Jornal do Brasil, a sua família acreditava que ele estava morto. Só em 1948 Rousseff deu sinal de vida, através de uma carta para a mãe, na qual conta do seu sucesso empresarial e anunciava ter casado e ter três filhos. O pai de Dilma terá ainda tentado entrar em contacto com o filho que deixara na Bulgária, ainda na barriga da primeira mulher. 

Segundo Toshka Kovatcheva, Luben, falecido em 2007, chegou a ambicionar juntar-se ao pai no Brasil, mas o regime comunista da Bulgária não o terá permitido.

As autoridades de Gabrovo enviaram a Dilma - através do primeiro-ministro búlgaro, Boiko Borisov, que assistiu à tomada de posse da nova presidente brasileira - vários presentes, entre os quais uma árvore genealógica da família de Pedro Rousseff e uma fotografia da sua tia Vana.







-Fotos selecionadas na Net
-Texto adaptado da NS' nº260

sábado, 1 de janeiro de 2011

« DILMA ROUSSEFF... A GUERRILHEIRA na ORDEM e PROGRESSO »

 Presidente do Brasil a partir de hoje
DILMA ROUSSEFF 
nasceu em 14 de Dezembro de 1947


O PODER AQUI  É  NO FEMININO



Toma posse neste sábado, dia primeiro de Janeiro de 2011, a presidente eleita Dilma Roussef. E o que devemos esperar dela?

Como todo governante, o objectivo maior é fazer o país crescer sem que tenha pressões inflaccionárias. E melhorar a renda de seus cidadãos. Embora se tenha inveja do crescimento chinês (na casa dos dois dígitos), parece haver consenso que manter crescimento de uns 5% ao ano é um limite máximo para que a inflação fique ao redor de 4,5% ao ano. Com estes resultados, espera-se que o desemprego continue regredindo para algo como 4% da população economicamente activa, que seria uma condição de pleno emprego.

Uma das metas principais será a erradicação da pobreza extrema, o que significa incorporar à sociedade 18 milhões de pessoas que ainda vivem nesta situação de miséria. Segundo dados recentes, o governo Lula teria resgatado 28 milhões de pessoas nestas condições durante seus 8 anos de mandato, além de alçar 36 milhões de pessoas à condição de classe média. Concomitantemente, deverá haver um esforço para diminuir ainda mais as desigualdades regionais, com ênfase na população do nordeste.

Um factor interessante vem ocorrendo na demografia brasileira. As mulheres tem tido cada vez menos filhos, e a população economicamente activa deverá crescer pela incorporação dos nascidos nas duas décadas anteriores. Mesmo com o envelhecimento da população, mais pessoas entrarão na idade de trabalhar do que as que se aposentarão. Isto somado a menos crianças que demandarão suporte de bens públicos (educação, principalmente), até 2020 o factor “previdência” não será tão pressionado. Permanecem, no entanto, objectivos prioritários para os investimentos públicos, como os da melhoria da qualidade da educação (o Brasil ainda está em posição vexatória neste quesito), assim como a maior reivindicação da população, que é a melhoria do setor de saúde, este atrelado a investimentos em saneamento básico.

Grandes investimentos serão feitos no Rio de Janeiro, com a realização da Copa do Mundo de Futebol (2014) e Olimpíada (2016). Espera-se que a iniciativa privada tenha grande importância nestas acções, para evitar que o Estado se endivide ainda mais que os níveis actuais.

Será fundamental atrair investimentos externos, e minimizar o descompasso em que se encontra o actual câmbio para o incentivo das exportações.

Dilma parece mais técnica que Lula, mas obviamente está longe de ter seu carisma. E estão todos curiosos para acompanhar o comportamento de Lula fora do governo, já que ele foi o responsável pela eleição da primeira mulher para presidente do Brasil.

Vamos torcer todos a favor, pois só temos a ganhar com isto, inclusive as gerações seguintes.





In blogue:  «Passeando pelo cotidiano».