sábado, 9 de junho de 2012

«QUAL A VERDADE SOBRE O MASSACRE NA SÍRIA? »

    Foto de 27 de Março de 2003 tirada no Iraque
usada recentemente para ilustrar o massacre de Houla na Síria
(Imagem da autoria do italiano Marco de Lauro)



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A foto que aqui se reproduz foi publicada pelo site da BBC como ilustrando o massacre de Houla cometido alegadamente pelo exército sírio. No entanto foi captada em 27 de Março de 2003 no sul do Iraque pelo fotógrafo Marco di Lauro. Dá que pensar…
 
O massacre de Houla, atribuído sem reservas pela comunicação social de grande dimensão e pelos governos dos países ocidentais ao exército sírio, parece ainda ter muito por explicar, como sabem diplomatas da ONU conhecedores dos meandros em que se movem alguns observadores enviados pelos serviços do secretário geral das Nações Unidas.
 
A BBC, com todo o prestígio que lhe é atribuído, também sem reservas, publicou no seu site esta foto das vítimas do massacre de Houla com a legenda de que teria sido facultada por “um activista” mas cuja autenticidade não poderia ser verificada.
 
O fotógrafo italiano Marco de Lauro teve menos dúvidas sobre a autenticidade da foto e do “activista”: a foto é de sua autoria e foi tirada em 27 de Março de 2003 no Iraque, ao sul de Bagdad, poucos dias depois de iniciada a invasão norte-americana do país. Foi o que Di Lauro, fotógrafo da agência Getty Images, explicou ao diário britânico The Telegraph.
 
Com base nas informações que têm vindo a lume sobre sucessivos “massacres” alegadamente cometidos pelas autoridades sírias os governos dos países da união Europeia, entre os quais Portugal, estão a expulsar ou a retirar credenciais aos embaixadores da Síria, considerando assim o regime como único responsável pela violência – que o próprio secretário geral da ONU já qualifica como “guerra civil”. A Administração Obama afirma, na sequência destes acontecimentos, que o passo que se segue tem que ser a substituição do regime de Damasco – embora sem expor a metodologia para concretizar o objectivo.
 
Meios de comunicação com menor dimensão, menor penetração, ou simplesmente abafados, têm dado informações mais completas. Explicam que esquadrões da morte treinados na Turquia e no Kosovo com apoio norte-americano, constituído por mercenários fundamentalistas islâmicos, estão a ser infiltrados em zonas sírias através das fronteiras turcas e libanesa para manterem a desestabilização no país e impedirem o funcionamento do cessar fogo.
 
Os massacres de cidadãos inocentes, entre os quais dezenas de crianças, estão a ser cometidos em coincidência com a visita dos observadores da ONU com a missão de analisarem a concretização do chamado Plano Annan. Coincidem também com a data prevista para iniciar a aplicação da segunda fase do plano, as negociações políticas entre Damasco e a oposição, na qual o regime se tem mostrado muito mais interessado do que a oposição, pelo menos os grupos de índole islamita apoiados pela Turquia, Qatar, Arábia Saudita, Estados Unidos e União Europeia.
 
O mundo não tem dúvidas sobre a realidade que é o carácter violento e autoritário do regime da família Assad; o recurso a fotos como esta levanta, porém, outras questões, como a da manipulação e a falsificação da informação em torno da realidade que se vive na Síria. E também sobre o carácter das “fontes” privilegiadas, sejam elas “activistas”, blogues patrocinados por serviços secretos ocidentais e organizações ditas de direitos humanos surgidas de um momento para o outro.
 
Este não é o primeiro caso de manipulação de fotos e vídeos. Nos últimos tempos da guerra contra a Líbia, a mesma BBC publicou imagens de manifestações anti-Khaddafi em Tripoli que correspondiam a uma manifestação muito anterior realizada na Índia e que tinha a ver com assuntos indianos; e foi demonstrado que o primeiro vídeo divulgado pela Al-Jazeera sobre os festejos resultantes da queda de Khaddafi foram anteriores à própria realidade e fabricados numa encenação montada no Qatar em que foi simulada (com erros crassos) uma praça de Tripoli.
 
A pergunta de fundo é: se a realidade é a que se diz e se explica com tanta convicção que razão leva a que se fabriquem as supostas provas do que se afirma?







Nota:
Imagem e texto recolhido
do facebook do jornalista
José Goulão

domingo, 22 de abril de 2012

« JULIETTE GRÉCO, UMA RESISTENTE »



Hoje regressamos a Paris, mas em clássico. Em elegância pura. Pela mão da diva absoluta de uma época de ouro: Juliette Gréco.

Juliette teve a infelicidade, enquanto simples adolescente, mas a felicidade, enquanto ser humano e cidadã, de ter uma mãe resistente. Resistente, também naquele sentido vertiginosamente perigoso e heróico que umas boas centenas de compatriotas seus lhe deram durante a ocupação nazi: colaborar, ou pertencer mesmo à Resistência a essa ocupação e ao nazi/fascismo. 

Logo nos primeiros tempos da Guerra, seria presa pela Gestapo. Talvez para (entre outras coisas) demonstrar que o exemplo da sua mãe não tinha caído em saco roto, não demorou muito tempo para que Juliette, então com dezasseis anos de idade, se “fizesse” igualmente prender.

Depois de libertada e passado pouco tempo, o grande e colectivo suspiro de alívio do pós-guerra veio encontrá-la já perfeitamente instalada naquele que viria a tornar-se, definitivamente, o seu habitat natural: a noite, a canção e a cultura parisienses.

Apesar de o seu nome figurar nos elencos de algumas peças de teatro e várias dezenas de filmes, foi como cantora que a jovem Juliette Gréco tomou de assalto vários locais míticos da noite de Paris de então, conquistando o público pela sua maneira original de cantar e “dizer as canções”. 

Diz-se que também (vá lá entender-se porquê!) pela sua figura emoldurada por esguias roupas pretas e os seus cabelos de azeviche. Aí se renderam à sua arte, para a qual muitos deram contributos, nomes como Sartre, Prévert, Jean CocteauAlbert Camus, Boris Vian, Joseph Kosma, Aznavour...

Depois de instalada no seu lugar, decidiu amadrinhar e ajudar a divulgar novos nomes de autores e intérpretes... e com uma assinalável pontaria, já que entre esses “novos” figuram nomes comoLeo Ferré, ou Serge Gaisbourg.

Chega de apresentações. A cantiga de hoje é uma simples e belíssima canção sobre Paris (as belíssimas canções quase sempre são simples). Foi escrita em 1951, por Jean Dréjac e Hubert Giraud, tendo sido gravada por muitos intérpretes que vão de Yves Montand a Piaf.

Como único comentário ao vídeo de hoje, diria que, num tempo em que tantos artistas se defendem das suas “faltas”, escondendo-se atrás do biombo protector da tecnologia mais agressiva, de toneladas de foguetório e efeitos especiais que o público consumidor engole à força de rios de banha da cobra... a luminosidade deste momento, tudo aquilo que Gréco consegue dizer com um jeito de lábios, um movimento das mãos, um instantâneo franzir de nariz, o princípio de um sorriso cúmplice, um fugaz brilho no olhar... juntamente com a claridade da forma de cantar e de dizer as palavras... são de uma simplicidade que chega a ser “embaraçosa”.



JULIETTE GRÉCO CANTA: «SOUS LE CIEL DE PARIS»

      


 




Foto: in net
Vídeo: in YouTube
Texto: in samuel cantigueiro.blogspot.com

domingo, 1 de abril de 2012

« TOMAR CAFÉ COM UM AMIGO »

A « bica » ao balcão do Café

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Um professor diante da sua turma de filosofia, sem dizer uma palavra, pegou num frasco grande e vazio de maionese e começou a enchê-lo com bolas de golfe.
A seguir perguntou aos estudantes se o frasco estava cheio.

Todos estiveram de acordo em dizer que "sim".

O professor então pegou numa caixa de fósforos e vazou    dentro do frasco de maionese.  Os fósforos preencheram os espaços vazios entre as bolas de golfe.

O professor voltou a perguntar aos alunos se o frasco estava cheio, e eles voltaram a responder que "sim".


Logo, o professor pegou uma caixa de areia e vazou dentro do frasco.
   
Obviamente que a areia encheu todos os espaços vazios e o professor questionou novamente se o frasco estava cheio.
 
Os alunos responderam-lhe com um "sim" retumbante.

O professor em seguida adicionou duas chávenas de café ao conteúdo do frasco e preencheu todos os espaços vazios entre a areia.

 
Os estudantes riram-se nesta ocasião.

Quando os risos terminaram, o professor comentou:

 
- Quero que percebam que este frasco é a vida.   As bolas de golfe são as coisas importantes - a família, os filhos, a saúde, a alegria, os amigos, as coisas que vos apaixonam.

São coisa que mesmo que perdêssemos tudo o resto, a nossa vida ainda estaria cheia.


Os fósforos são outras coisas importantes, como o trabalho, a casa, o carro, etc. A areia é tudo o resto, as pequenas coisas.

 
Se primeiro colocamos a areia no frasco, não haverá espaço para os fósforos, nem para as bolas de golfe.

O mesmo ocorre com a vida.


Se gastamos todo o nosso tempo e energia nas coisas pequenas, nunca teremos lugar para as coisas que realmente são importantes.

 
Presta atenção às coisas que realmente importam.

Estabelece as tuas prioridades e o resto é só areia.


" Um dos estudantes levantou a mão e perguntou:

- Então e o que representa o café?


O professor sorriu e disse:

- Ainda bem que perguntas!


Isso e só para lhes mostrar que, por mais ocupada que a vossa vida possa parecer, há sempre lugar para tomar um café com um amigo."
 
 
 


sábado, 28 de janeiro de 2012

« A ORIGEM DO SÍMBOLO @ »





« O que significa @ no e-mail?

Durante a Idade Média os livros eram escritos pelos copistas, à mão. Precursores dos taquígrafos, os copistas simplificavam o seu trabalho substituindo letras, palavras e nomes próprios por símbolos, sinais e abreviaturas. Não era por economia de esforço nem para o trabalho ser mais rápido (tempo era o que não faltava, naquela época!). O motivo era de ordem económica: tinta e papel eram valiosíssimos.

Assim, surgiu o til (~), para substituir o m ou n que nasalizava a vogal anterior. Se reparar bem, você verá que o til é um enezinho sobre a letra.

O nome espanhol Francisco, também grafado Phrancisco, foi abreviado para Phco e Pco (?), o que explica, em Espanhol, o apelido Paco.

Ao citarem os santos, os copistas identificavam-nos por algum detalhe significativo das suas vidas. O nome de São José, por exemplo, aparecia seguido de Jesus Christi Pater Putativus, ou seja, o pai putativo (suposto) de Jesus Cristo. Mais tarde, os copistas passaram a adotar a abreviatura JHS PP, e depois simplesmente PP. A pronúncia dessas letras em sequência explica por que José, em Espanhol, tem o apelido de Pepe.

Já para substituir a palavra latina et (e), eles criaram um símbolo que resulta do entrelaçamento dessas duas letras: o &, popularmente conhecido como "e" comercial, em Português, e, ampersand, em Inglês, junção de and (e, em Inglês), per se (por si, em Latim) e and.

E foi com esse mesmo recurso de entrelaçamento de letras que os copistas criaram o símbolo @, para substituir a preposição latina ad, que tinha, entre outros, o sentido de casa de.

Foram-se os copistas, veio a imprensa - mas os símbolos @ e & continuaram firmes nos livros de contabilidade. O @ aparecia entre o número de unidades da mercadoria e o preço. Por exemplo: o registo contábil 10@£3 significava 10 unidades ao preço de 3 libras, cada uma. Nessa época, o símbolo @ significava, em Inglês, at (a ou em).

No século XIX, na Catalunha (nordeste da Espanha), o comércio e a indústria procuravam imitar as práticas comerciais e contáveis dos ingleses. E, como os espanhóis desconheciam o sentido que os ingleses davam ao símbolo @ (a ou em), acharam que o símbolo devia ser uma unidade de peso. Para isso contribuíram duas coincidências:

1 - a unidade de peso comum para os espanhóis na época era a arroba, cuja inicial lembra a forma do símbolo;

2 - os carregamentos desembarcados vinham frequentemente em fardos de uma arroba. Por isso, os espanhóis interpretavam aquele mesmo registo de 10@£3 assim: dez arrobas custando 3 libras cada uma. Então, o símbolo @ passou a ser usado por eles para designar a arroba.

O termo arroba vem da palavra árabe arruba, que significa a quarta parte: uma arroba (~15 kg, em números redondos) correspondia a 1/4 de outra medida de origem árabe, o quintar, que originou o vocábulo português quintal, medida de peso que equivale a 58,75 kg.

As máquinas de escrever, que começaram a ser comercializadas na sua forma definitiva há dois séculos, mais precisamente em 1874, nos Estados Unidos (Mark Twain foi o primeiro autor a apresentar os seus originais datilografados), trouxeram no seu teclado o símbolo @, mantido no do seu sucessor - o computador.

Então, em 1972, ao criar o programa de correio eletrónico (o e-mail), Roy Tomlinson usou o símbolo @ (at), disponível no teclado dessa máquina, entre o nome do usuário e o nome do provedor. E foi assim que Fulano@Provedor X ficou significando Fulano no provedor X.

Na maioria dos idiomas, o símbolo @ recebeu o nome de alguma coisa parecida com a sua forma: em Italiano, chiocciola (caracol); em Sueco, snabel (tromba de elefante); em Holandês, apestaart (rabo de macaco).

Em alguns, tem o nome de certo doce de forma circular: shtrudel, em iídisch; strudel, em alemão; pretzel, em vários outros idiomas europeus.

No nosso, manteve a sua denominação original: arroba. »

[Autor desconhecido]







quinta-feira, 20 de outubro de 2011

« O GRITO DAS CRIANÇAS »

A  legenda da imagem é o leitor que a põe







O Grito Das Crianças



Eu sou criança e grito
Contra os loucos
Que fazem a guerra
E mandam matar.
Eu sou criança e grito
Contra a tortura da fome
Que mata lentamente
Que põe crianças deformadas
Com as peles enrugadas
Sofrendo a indiferença
De quem não quer ajudar
Mostrando a inocência 
De crianças a gritar 
E com gestos de crianças
Morrendo a estrebuchar.
Eu sou criança e grito
Porque sou criança
Porque sou inocente
Porque sou gente.

César Ramos










quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A SAUDADE PORTUGUESA








A Saudade Fala Português


Eu tenho saudades de tudo que marcou a minha vida .
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,

de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...
Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou vir a ter, se Deus quiser...

Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo,

lembrando do passado e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro, que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei,
de quem disse que viria e nem apareceu;
de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram
e de quem não me despedi direito;
daqueles que não tiveram como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre;
de coisas que eu tive e de outras que não tive mas quis muito ter;
de coisas que nem sei que existiram mas que se soubesse,
decerto gostaria de experimentar;

Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes,

de casos, de experiências...
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente,
como só os cães são capazes de fazer,
dos livros que li e que me fizeram viajar,
dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,
das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade;

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que,

não sei aonde,
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é
e nem onde perdi...
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades em japonês, em russo, em italiano, em inglês,
mas que minha saudade,
por eu ter nascido brasileira,
só fala português embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria, espontaneamente, quando estamos desesperados, para contar dinheiro, fazer amor e declarar sentimentos fortes,

seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples "I miss you",
ou seja lá como possamos traduzir saudade
em outra língua, nunca terá a mesma força
e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima, corretamente,
a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades...

Porque encontrei uma palavra para usar
todas as vezes em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor do que um sinal vital
quando se quer falar de vida e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis, de que amamos muito do que tivemos e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...

Sentir saudade, é sinal de que se está vivo!
 
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 7 de julho de 2011

« VINICIUS DE MORAIS ... SEIXO DE PRAIA ... »




VINICIUS  DE  MORAIS
(1913 - 1980)


Sinto-me só como um seixo 

de praia



 
Sinto-me só como um seixo de praia
Vivendo à busca no cristal das ondas,
Não sei se sou o que não sou. Pressinto
Que a maré vai morar no fundo d'alma.

 
Calo-me sempre se te escuto vindo
Marulho de incerteza e de agonia;
Há crenças deslizando nos meus traços,
Molhando a estátua do meu sonho antigo.

 
Declino-me nas frases dos rochedos
Nas pérolas de som do inesquecer
Na incrível sombra da montanha adulta.

 
E ao me curvar ao peso da memória,
Descubro meu reflexo obscuro
Num soneto de espumas inexactas




Vinicius de Moraes 








terça-feira, 21 de junho de 2011

S.O.S. (...) ARARAS - ESPÉCIE EM VIAS DE EXTINÇÃO!





Conhecidas pela sua plumagem exuberante e pela docilidade enquanto animais de estimação, as araras fazem parte da espécie Psittacidae.

Estas aves trepadoras, que podem atingir  os 85 centímetros de tamanho, são originárias de continentes como a América do Sul e África, onde são encontradas as maiores e as mais coloridas.

Existem 18 espécies deste animal, todas com bico forte e cauda comprida em forma de espada. É o bico forte que permite que elas escavem o tronco das árvores para se poderem alimentar das larvas dos insectos. Os ninhos são, normalmente, encontrados em troncos ocos de árvores como a palmeira, ou mesmo no alto das árvores, mas também aproveitam buracos em paredões rochosos para pôr os ovos. O ninho abriga apenas uma parte do corpo, ficando a cauda exposta à vista, tornando fácil a sua localização.



BURACO   DAS   ARARAS
MATO  GROSSO  -  BRASIL


A época da reprodução começa na Primavera, quando as araras põem os ovos e esperam depois 24 a 28 dias para a incubação. Quem cuida de garantir a alimentação, frutas, sementes, coquinhos, larvas e rebentos de árvores,  é o macho.

A plumagem das crias surge após três ou quatro meses e atingem a maturidade aos seis meses, sendo já consideradas aves adultas por essa altura. Voam curtas distâncias, mas locomovem-se muito bem entre as árvores, devido ao formato das patas e do bico em forma de gancho.

Menos dotadas do que os papagaios, as araras não conseguem imitar bem os sons dos outros animais nem a linguagem humana de uma maneira muito fiel, sendo apenas capazes de aprender algumas palavras isoladas.

Símbolos de riqueza e prosperidade desde o século XVI as araras continuam a ser procuradas como animais de estimação. A sua capacidade de adaptação ao ambiente humano e a sua semelhança, em termos de hábitos, com animais de companhia tão comuns como o cão e o gato, fazem dela uma atração para os que querem ter um animal doméstico exótico!

Porém, a contínua caça destes animais e a devastação do seu habitat natural faz com que seja, neste momento, uma espécie em vias de extinção.

Estão a ser desenvolvidos esforços pelas autoridades responsáveis pela preservação da fauna nos países de origem deste animal, para travar esta deplorável tendência.

Para alertar este fenómeno, a indústria cinematográfica de Hollywood estreou em Abril de 2011, um filme de animação em três dimensões com o título " RIO ".


ARARA  AZUL



Vídeo-clip de apresentação do filme "RIO" sobre a arara azul


A personagem principal, Blue, é uma arara azul que é levada de volta ao Rio de Janeiro - seu local de origem - para acasalar com a última fêmea da espécie.

O tráfico de aves, motivo que leva à extinção de espécies como a arara, é retratado de maneira a sensibilizar o espectador para esta realidade.

São também evidenciados na película os esforços combinados de governo e de organizações dedicadas à proteção da vida animal, para resgatar estas espécies e impedir que desapareçam.

Enfim... chegámos ao ponto de ter de pedir, por favor, que não destruam a natureza e não extingam as espécies animais, enriquecendo à custa de os caçar e aprisionar, até aos limites em que a natureza já não consegue regenerar-se.

Chegámos ao cúmulo de ter de se fazer filmes de desenhos animados,  para sensibilizar as consciências, ditas humanas, como se o Homem fosse, o que afinal é: um ser inconsciente!



sábado, 18 de junho de 2011

CAPITÃO de ABRIL ... da LIBERDADE... JÁ NÃO PODE FALAR

GENERAL  PEZARAT  CORREIA
Militar do 25 de Abril de 1974 do Movimento das Forças Armadas




Um marcelino qualquer censurou um artigo de Pezarat Correia, a propósito da possível nomeação de Paulo Portas como Ministro dos Negócios Estrangeiros. Como se pode ver aqui, trata-se de um escrito de pura opinião, sem derivas para assuntos de mau gosto, de um exercício da mais legítima liberdade de expressão, ainda por cima assinado por um homem de craveira intelectual (os seus livros, os seus artigos, as suas intervenções evidenciam-no) e militar do 25 de Abril. É evidente que um homem limpo não se deixa sujar por uma nódoa, e até uma nódoa pode fazer as vezes de condecoração. Mas o atrevimento de um qualquer marcelino, não deve passar sem mais.






Pezarat Correia censurado no Diário de Notícias. Vasco Lourenço comenta e transcrevemos o artigo censurado de Pezarat Correia.

 

 

por Associação 25 de Abril a Terça-feira, 14 de Junho de 2011 às 19:10
Mais papistas que o Papa? Pôr as nossas barbas de molho? Excesso de zelo?

Eis algumas das interrogações que fiz, quando tomei conhecimento que a direcção do Diário de Notícias não tinha autorizado a publicação do artigo de opinião do general Pedro de Pezarat Correia "Paulo Portas Ministro?". Nem o facto de esse artigo transcrever parte de um outro artigo do mesmo autor, publicado em 12 de Abril de 2002 no mesmo Diário de Notícias, valeu para que, desta vez, não tivesse havido censura.

Se juntarmos a este acto a carga policial sobre os "acampados" no Rossio, np sábado de reflexão (4 de Junho), mas também o convite feito pela RTP1 ao "comentador" José Eduardo Moniz para, no dia das próprias eleições, acertar contas - em seu nome pessoal e no da sua mulher - com o ainda primeiro-ministro José Sócrates, os sentimentos que expressei no início deste texto, nomeadamente os que significam "querer mostrar serviço ao chefe", poderemos perguntar: para onde caminhamos? Para onde nos querem levar? Aonde chegámos já?

Vasco Lourenço

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PAULO PORTAS MINISTRO?

Ana Gomes provocou uma tempestade mediática com as suas declarações sobre Paulo Portas. Considero muito Ana Gomes, uma mulher de causas, frontal, corajosa, diplomata com muito relevantes serviços prestados a Portugal e à Humanidade. Confesso que me escapa alguma da sua argumentação contra Paulo Portas e não alcanço a invocação do exemplo de Strauss-Kahn. Mas estou com ela na sua conclusão: Paulo Portas não deve ser ministro na República Portuguesa. Partilho inteiramente a conclusão ainda que através de diferentes premissas.

Paulo Portas, enquanto ministro da Defesa Nacional de anterior governo, mentiu deliberadamente aos portugueses sobre a existência de armas de destruição maciça no Iraque, que serviram de pretexto para a guerra de agressão anglo-americana desencadeada em 2003. Sublinho o deliberadamente porque, não há muito tempo, num frente-a-frente televisivo, salvo erro na SIC-Notícias, a deputada do CDS Teresa Caeiro mostrou-se muito ofendida por Alfredo Barroso se ter referido a este caso exactamente nesses termos. A verdade é que Paulo Portas, regressado de uma visita de Estado aos EUA, declarou à comunicação social que “vira provas insofismáveis da existência de armas de destruição maciça no Iraque” (cito de cor mas as palavras foram muito aproximadamente estas). Ele não afirmou que lhe tinham dito que essas provas existiam. Não. Garantiu que vira as provas. Ora, como as armas não existiam logo as provas também não, Portas mentiu deliberadamente. E mentiu com dolo, visto que a mentira visava justificar o envolvimento de Portugal naquela guerra perversa e que se traduziu num desastre estratégico. A tese de que afinal Portas foi enganado não colhe. É a segunda mentira. Portas não foi enganado, enganou. Um político que usa assim, fraudulentamente, o seu cargo de Estado, não deve voltar a ser ministro.

Mas já não é a primeira vez que esgrimo argumentos pelo seu impedimento para funções ministeriais. Em 12 de Abril de 2002 publiquei um artigo no Diário de Notícias em que denunciava o insulto de Paulo Portas à Instituição Militar, quando classificou a morte em combate de Jonas Savimbi como um “assassinato”. Note-se que a UNITA assumiu claramente – e como tal fazendo o elogio do seu líder –, a sua morte em combate. Portas viria pouco depois dessas declarações a ser nomeado ministro e, por isso, escrevi naquele texto:

 «O que se estranha, porque é grave, é que o autor de tal disparate tenha sido, posteriormente, nomeado ministro da Defesa Nacional, que tutela as Forças Armadas. Para o actual ministro da Defesa Nacional, baixas em combate, de elementos combatentes, particularmente de chefes destacados, fardados e militarmente enquadrados, num cenário e teatro de guerra, em confronto com militares inimigos, também fardados e enquadrados, constituem assassinatos. Os militares portugueses sabem que, hoje, se forem enviados para cenários de guerra […] onde eventualmente se empenhem em acções que provoquem baixas, podem vir a ser considerados, pelo ministro de que dependem, como tendo participado em assassinatos. Os militares portugueses sabem que hoje, o ministro da tutela, considera as Forças Armadas uma instituição de assassinos potenciais».
 Mantenho integralmente o que então escrevi.



Um homem que, com tanta leviandade, mente e aborda assuntos fundamentais de Estado, carece de dimensão ética para ser ministro da República. Lamentavelmente já o foi uma vez. Se voltar a sê-lo, como cidadão sentir-me-ei ofendido. Como militar participante no 25 de Abril, acto fundador do regime democrático vigente, sentir-me-ei traído.

06 de Junho de 2011

PEDRO DE PEZARAT CORREIA


terça-feira, 7 de junho de 2011

"A BENÇÃO da LOCOMOTIVA" - Poema de GUERRA JUNQUEIRO

Locomotiva a vapor 
(séc. XIX) 
a partir da Estação da Gare do Oriente 
(séc. XXI)




GUERRA  JUNQUEIRO
(1850 - 1923)

[Poeta, Escritor, Jornalista, Político e Pensador]




A BÊNÇÃO DA LOCOMOTIVA

A obra está completa.  A máquina flameja
desenrolando o fumo em ondas pelo ar.
Mas antes de partir, mandam chamar a Igreja,
que é preciso que um bispo a venha batizar.

Como ela é com certeza o fruto de Caim,
a filha da razão, da independência humana,
botem-lhe na fornalha uns trechos de latim,
e convertam-na à fé católica romana.

Devem nela existir diabólicos pecados,
porque é feita de cobre e ferro, e estes metais
saiem da natureza, ímpios, excomungados,
como saímos nós dos ventres maternais !

Vamos, esconjurai-lhe o demo que ela encerra,
extraí a heresia do aço lampejante !
Ela acaba de vir das forjas d'Inglaterra,
e há de ser com certeza um pouco protestante.

Para que o monstro corra em férvido galope,
como um sonho febril, num doido turbilhão,
além do maquinista é necessário o hissope
e muita teologia... além d'algum carvão.

Atirem-lhe uma hóstia à boca famulenta,
preguem-lhe alguns sermões, ensinem-lhe a rezar,
e lancem na caldeira um jarro d'água benta,
que com água do céu talvez não possa andar.


Poema: A Benção da locomotiva, in "A Velhice do Padre Eterno", de Guerra Junqueiro - 1885







sábado, 4 de junho de 2011

« A PENSAR (refletir) MORREU UM BURRO »


A   REFLEXÃO





«Hoje – dizem - é dia de reflexão. Até poderá ser... mas nunca tanta e tão profunda como a que terá que ser feita a partir de segunda-feira. 

Na verdade, a partir do próximo dia 6 de Junho, muito milhares de portugueses terão a tardia oportunidade de refletir sobre aquilo que realmente conseguiram não indo votar, ou votando em branco. 

Muitos milhares de portugueses terão muito tempo para refletir sobre a insanidade de, parafraseando Einstein, continuarem a fazer sempre as mesmas coisas, esperando obter resultados diferentes.

Será igualmente bom refletirmos sobre a real legitimidade de um resultado eleitoral obtido à custa de mentiras, ocultação de factos, terrorismo político, “inevitabilidades”, boicote ativo à divulgação de medidas políticas alternativas, com a ajuda do já experimentado rol de preconceito vesgo, silenciamento, truncagem das mensagens, etc., levado a cabo por uma comunicação social em que, desgraçadamente, a maior parte dos “jornalistas” se transformou numa massa invertebrada que, rapidamente, tomou o partido de quem lhes pareceu estar mais próximo da vitória, inundando jornais, revistas, rádios e televisões, com analistas, politólogos e comentadores, todos falando a uma só voz: a da “troika”, a do capitalismo mais selvagem.

Teremos então muito tempo para refletir em como a falta de reflexão antes do voto se reflete nas condições de vida, ainda mais degradadas, na falência provocada do “estado social”, no aumento do desemprego, da entrega de tudo o que (ainda) é serviço público e que cheire a lucro, nas mãos de negociantes. Finalmente, na progressiva perda de soberania nacional. 

Pela minha parte, garantirei que o meu voto reflita o conteúdo desta crua reflexão. Pela minha parte, sem prejuízo da anunciada reflexão futura, estarei com aqueles que, a partir de segunda-feira, continuarão a sua luta. 

Uma luta com muito caminho para fazer. Uma luta muito antiga, coerente, refletida












[In: blog "Cantigueiro"; Fotos: net]




quarta-feira, 4 de maio de 2011

« CENSURA: A VOZ do DONO de (QUASE) TODOS os JORNALISTAS! »






Portugal (e não só) vive saturado de (des)informação e não há nada que lhe valha. E não há porque aos fazedores de informação, outrora chamavam-se jornalistas, (sejam, ou não, amigos do José ou do Joaquim) restam duas opções: serem domados e manter o emprego, ou o inverso.



É claro que, no meio desta enorme teia de corrupção, há lugares para todos, mas sobretudo para os invertebrados, quase todos amigos do José e do Joaquim. Do primeiro para agradar ao soba, do segundo para não perderem o emprego.
Com a hipocrisia típica e atávica que caracteriza os donos da verdade em Portugal, até vemos os josés e os joaquins do reino a recordar, comovidos, os jornalistas assassinados, mutilados, detidos, despedidos e por aí fora por exercerem, em consciência, a liberdade de expressão à qual, em teoria, têm direito.
Aliás, já se começaram a ver muitos dos josés e dos joaquins que amordaçam os jornalistas, a ir para a ribalta com a bandeira da liberdade de expressão, forma mais ou menos eficaz de ninguém reparar na sua face oculta e na sua apologia pelo calor da noite.

Durante muitos anos o principal barómetro da liberdade de Imprensa era o número de jornalistas mortos no cumprimento do dever, hoje junta-se-lhe uma outra variante para a qual Portugal deu, dá e dará, um notório e inédito contributo: os despedimentos. Isto, é claro, para além de haver um outro instrumento de medição que se chama corrupção.
Até já estamos a ver alguns dos algozes da liberdade de expressão (desde os donos dos jornalistas aos donos dos donos dos jornalistas) citar o artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos: “Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras”.

Há cinco anos, o então secretário-geral da ONU defendeu uma tese que se tornou suicida no caso português. Kofi Annan disse que os jornalistas “deveriam ser agentes da mudança”.
Eles tentaram, o que aliás sempre fizerem, mudar a sociedade para melhor. Acontece que o seu conceito de sociedade melhor não é igual ao dos donos dos jornalistas nem ao dos donos dos donos dos jornalistas.
E a resposta não se fez esperar: Jornalista só é bom se hoje for amigo do José e do Joaquim, e amanhã – talvez – do Pedro. O Joaquim mantém-se.
Nos últimos seis anos, por exemplo, pelo menos 181 jornalistas que não eram amigos do José nem do Joaquim e que trabalhavam nas redacções do Porto de vários órgãos de comunicação social perderam o emprego, 54 dos quais no despedimento colectivo, inédito na Imprensa portuguesa, levado a cabo pelo grupo Controlinveste (JN, DN, 24 Horas e “O Jogo”).
Pois é. Mas quem os mandou ser Jornalistas? Os que quiseram ser tapetes do poder continuam, por enquanto, a ter emprego...


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( in: Blogue " ALTO HAMA "  -  Imagens: Net )


terça-feira, 26 de abril de 2011

« NAVEGAR (...) E MUSICAR ... É PRECISO ! »



NAVIOS  no  DESERTO

« SAILING  »  de  ROD  STEWART






 ROD  STEWART  /   SAILING





Sailing


I am sailing, I am sailing
Home again across the sea.
I am sailing, stormy waters
To be near you, to be free

I am flying, I am flying,
Like a bird across the sky
I am flying, passing high clouds
To be near you, to be free

Can you hear me? Can you hear me?
Through the dark night, far away
I am dying, forever crying
To be with you, who can say?

Can you hear me? Can you hear me?
Through the dark night, far away.
I am dying, forever crying,
To be near you, who can say?

We are sailing, we are sailing,
Home again across the sea.
We are sailing stormy waters,
To be near you, to be free.

Oh Lord, to be near you, to be free.
Oh Lord, to be near you, to be free,
Oh Lord.



[ t r a d u ç ã o ]


Navegando

Eu estou navegando, estou navegado
De volta para casa, através do mar.
Estou navegando sobre águas tempestuosas,
Para estar perto de você, para ser livre.

Eu estou voando, estou voando
Como um pássaro, através do céu.
Estou voando, passando por nuvens altas,
Para estar perto de você, para ser livre

Você consegue me ouvir? Você consegue me ouvir?
Através da noite escura, muito distante.
Eu estou morrendo, sempre chorando,
Para estar com você, quem pode dizer?

Você consegue me ouvir? Você consegue me ouvir?
Através da noite escura, muito distante.
Eu estou morrendo, sempre chorando,
Para estar com você, quem pode dizer?

Nós estamos navegando, estamos navegando
De volta para casa, através do mar.
Estamos navegando sobre águas tempestuosas,
Para estar com você, para ser livre.

Oh, Senhor, para estar perto de você, para ser livre.
Oh, Senhor, para estar perto de você, para ser livre.
Oh, Senhor...