sábado, 27 de março de 2010

(...) EM NOME de PAIXÕES e FÉS CEGAS... !






Para benfiquistas, sportinguistas e dragões, o seu clube de coração é, inquestionavelmente, sempre o maior, sejam quais forem os resultados desportivos ou o comportamento dos seus jogadores.
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Os benfiquistas perdoam e aplaudem a rispidez de algumas entradas de David Luís. Os sportinguistas perdoam e aplaudem as agressivas intervenções de João Pereira. Os dragões perdoam e aplaudem as agressões de Hulk...
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Nada os retrai, desmotiva ou desanima. O que conta é a paixão, o amor incondicional ao emblema. Como se fosse uma religião, uma jihad de fé clubística.
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Foi sempre assim e nada nos leva a pensar que, no mundo do futebol, alguma vez a razão se sobreponha à paixão.
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Do que, convenhamos, pouco mal virá para o outro mundo, o real, aquele em que pulsa a vida de toda uma Sociedade.
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Já é de maior preocupação esta moda alienante que vem emergindo de forma assustadora, por força da retórica gratuita e da demagogia sem vergonha, que faz dos cidadãos indefectíveis "adeptos" de partidos políticos em nome de uma fé em que tudo se perdoa aos seus "jogadores", mesmo actos e as medidas que os lesem enquanto destinatários duma apregoada democracia adulta!
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Os dois fenómenos têm diferenças abissais, nos seus valores e nos campos onde se desenvolvem, mas é já notório que a paixão cega, a defesa a qualquer preço dos grupos partidários a que cada um aderiu, relaxa ou destrói o espírito crítico, em benefício duma parte política, mas em prejuízo da democracia e de toda a Nação.
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Nesta, é perigoso apoiar e aplaudir tudo, em nome de uma fé cega. Não estamos num jogo de amor à camisola desportiva!
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Quando a paixão partidária desce ao patamar da clubística, é da liberdade de cada um de nós que estamos a abdicar e, pior, é comprometermos, de forma leviana e irreflectida, um rumo para o País, que prime pela Verdade, pela Justiça e pelo Progresso que almejamos para todos nós.
As amarras emotivas e incondicionais a partidos não podem, em nome da paixão, perdoar "rispidez", "agressões", mentiras e outros desmandos sem carácter de qualquer político, seja qual for a sua camisola partidária, para que se possa manter o respeito pelo Estado e por cada um de nós.
Para que nos sintamos pessoas livres e não autómatos de pensamento encarcerado!...
Pessoalmente, nunca tive donos políticos, nem de qualquer outra espécie. Há muitos anos que aprendi a lutar contra a marca "A Voz do Dono"! Não sou inconstante, ou volúvel.... se houver quem mude, serão os autores das circunstâncias que aplicam a teoria do que o que hoje é verdade, amanhã já poderá ser mentira!
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Neste tipo de, digamos, conjuntura, não colaborarei nunca e tudo farei para acordar os que me rodeiam para não se deixarem embalar em cantos de sereias!
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Lembrar sempre o velho pensamento douto e popular: não há pior cego, do que aquele que não quer ver.

2 comentários:

Anónimo disse...

Ao começar a ler expressões invulgares em si, terminologia futebolística, comecei a achar estranho; mas, depois tudo fez sentido!
Acho que analisou e comparou tudo de forma objectiva e verdadeira.
Gostei deste texto, que é talvez uma pérola para certos 'porcos'!
Mas é verdade! Água mole em pedra dura, tanto dá... até que, fura.

Um abraço

Deolinda Santos

Maria Lúcia Marangon disse...

César, seu texto é muito bom e corresponde à realidade vivida também no Brasil. Sou professora e tento fazer com que meus alunos e suas famílias não se deixem embalar em cantos de sereias. Mas, a luta é árdua, pois, há muitos anos, temos no Brasil uma política assistencialista, que compra os votos da grande massa de miseráveis que existe aqui. No Brasil, existe “ajuda” para tudo, são as famosas "bolsas" do Governo. Infelizmente, os favorecidos por essas “bolsas” não enxergam o quanto elas são humilhantes e escravizantes. Ao contrário, para se manterem como beneficiários, eles entregam seus votos nas mãos dos que prometem continuar com essa mesma política. No meu país, quem trabalha honestamente é explorado por uma quantidade absurda de impostos para que o Governo possa manter essa sua política de “toma lá, dá cá”. Repito sempre para os meus alunos que um bom Governo é aquele que dá ao seu povo educação, saúde e trabalho, para que ele possa ter dignidade e gerar o seu próprio sustento; que um bom Governo não é aquele que te dá o peixe, mas aquele que te ensina a pescar.
Um abraço.