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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

« GATO por LEBRE... na FARMÁCIA »



Medicamentos falsos rendem mais que 'coca'

A contrafacção de produtos médicos e crimes semelhantes inclui o fabrico e distribuição de medicamentos e produtos médicos falsificados, com intenções criminosas. A contrafacção atinge todos os géneros de produtos médicos, tanto para uso humano como veterinário.

De acordo com a OMS, os medicamentos falsificados representam menos de 1% do valor de mercado em países desenvolvidos, onde há mecanismos de controlo eficientes, mas mais de 50% em sites anónimos na internet. Os países em desenvolvimento têm áreas em que mais de 30% dos medicamentos à venda são contrafeitos.

Sabe-se que há pacientes que morreram em consequência de terem tomado medicamentos falsos (estima-se que nos EUA, 80 mortes resultem do uso de heparina falsificada). Sabe-se também que a saúde dos pacientes europeus tem sofrido em consequência da exposição a estes "medicamentos".

Há também um perigo enorme quando os animais são tratados com medicamentos contrafeitos de que as suas doenças se transformem em epidemias, e se transmitam mais facilmente às pessoas.

Na Europa, foram descobertos no circuito legal de distribuição medicamentos falsificados para o cancro da próstata, para baixar o colesterol, proteger contra ataques de coração ou AVC, tratar sintomas de doenças psicóticas, como a esquizofrenia e outras doenças mentais.

Na altura da gripe das aves, o Tamiflu foi um dos mais falsificados porque a procura era grande e a oferta reduzida. E é claro que os tratamentos para a disfunção eréctil são muito procurados, particularmente na internet, pela sua confidencialidade.

Exteriormente são exactamente iguais, e há lucro suficiente neste negócio para que os criminosos façam cópias perfeitas das embalagens. Quanto ao que está dentro da "pastilha", também é muito difícil de detectar sem recorrer a testes laboratoriais caros, o que faz com que haja um risco omnipresente de que estes produtos entrem na corrente legal de fornecimentos, ficando misturados com produtos legítimos com resultados potencialmente desastrosos para a saúde pública.

A ineficiência dos tratamentos pode levar os pacientes à morte, pela doença que não é tratada, mas também há casos de produtos que contém substâncias tóxicas.

Os estudos indicam que a produção e distribuição de medicamentos falsificados é aproximadamente 15 vezes mais rentável que o tráfico de cocaína.

É um crime organizado e poderoso. Sendo o risco de detecção relativamente baixo quando comparado com os potenciais ganhos económicos, é um negócio mais do que apetecível e que tende a crescer.

A internet é um meio extraordinário de comercializar medicamentos contrafeitos e ilegais. A OMS descobriu que mais de 50% dos medicamentos comprados em sites virtuais que escondem a sua verdadeira morada são de contrafacção.

O público deve seguir alguma regras de precaução quando compra remédios na net: se o site não tem um endereço de uma morada física, a probabilidade de receber um produto falso é grande.

Embora falsificar medicamentos já seja ilegal a nível nacional em muitos países, faltava um instrumento legal específico e de cariz internacional, que tornasse mais fácil lutar contra as operações internacionais de criminosos que não conhecem fronteiras: o CoE criou o primeiro tratado – a Convenção Medicrime -, que visa criminalizar a produção e distribuição de todos estes produtos contrafeitos, com penas graves proporcionais aos danos sofridos, proteger as vítimas e testemunhas, promovendo igualmente um palco para a cooperação internacional entre as autoridades de saúde e de segurança.

A convenção, que será adoptada formalmente ainda este ano, será assinada por todos os Estados, espera-se.

Portugal tem sido um dos países que mais apoio tem dado ao conselho nesta área, nomeadamente através do Infarmed, que ainda recentemente organizou, em parceria, um encontro de formação para responsáveis da polícia, do combate ao tráfico de drogas e de alfândegas de toda a Europa, África e ainda América Latina.


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sexta-feira, 16 de abril de 2010

« OS CICLOS e RITMOS do DESTINO »

Jornada estelar
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Destino v/s Acaso
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A mesa dos sete pecados




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O homem é, no fundo, uma criatura conservadora. Pode desejar mudanças de vida e de ambiente, mas quando confrontado com qualquer alteração drástica entra em pânico. Este terror íntimo é mais forte e palpável quando a alteração se reveste da forma de catástrofe, deixando-o com a sensação de que o destino já não está nas suas mãos.
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Foi a sensação de insuficiência perante os horrores da doença, da seca, dos terramotos e das inundações, a morte de entes queridos e a sua própria morte que o levou a tentar explicar - e, se possível, evitar - esses acontecimentos, invocando a existência de forças que não são imediatamente óbvias ou mensuráveis.
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Muitas das forças em que o homem passou a acreditar como explicação e panaceia de situações desagradáveis são de natureza rítmica e cíclica, e todas elas controversas. Pensa-se por exemplo, que os biorritmos funcionam ciclicamente no nosso corpo e cérebro, controlando a performance física, emocional e intelectual, enquanto a técnica do biofeedback aspira a conferir-nos poderes sobre as actividades rítmicas do cérebro, apetrechando-nos com aparelhagem para registo da nossa fisiologia íntima.
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A arte médica da acupunctura baseia-se na antiga crença de que a energia que nos imbui de vida circula pelo corpo uma vez em 24 horas. Tanto o ciclo diário como o anual são a essência da astrologia, outra das artes mais antigas do homem, e é para os céus que olhamos quando tentamos usar os ciclos das manchas solares para explicar o padrão cíclico do campo terrestre.
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A crença nestes ciclos e ritmos implica grande capacidade de fé, porque, necessariamente, não podem ser medidos pela ciência. Essa fé em forças rítmicas e cíclicas, é quase tão velha como o próprio homem, visto que este foi sempre vitimado e destruído por catástrofes naturais.
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A atitude que hoje adoptamos pode ser a de não se poder esperar nada de mais preciso do homem pré-científico e de o homem moderno saber melhor. Podemos olhar essas forças com cepticismo misturado talvez com uma sensação sub-reptícia de que alguma verdade há nelas ou podemos optar pela ideia de que os antigos é que estavam certos, que as armadilhas da vida moderna nos cegaram para a potência dessas forças rítmicas e que ainda há muita coisa para descobrir.
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Onde estará a razão? Serão as nossas vidas determinadas pelos movimentos celestes cíclicos, conforme interpretados pelos astrólogos, ou reagimos aos nossos biorritmos internos determinados, como as influências astrológicas, pelo dia do nosso nascimento? As catástrofes naturais dependerão do fluxo e refluxo das manchas solares? Poderá o cancro ser curado pela acupunctura, que altera o fluxo cíclico da energia do corpo? E poderão as nossas ondas cerebrais eléctricas rítmicas ser controladas de modo a libertar-nos da ansiedade e do stress?
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A resposta à maior parte das questões é que não sabemos.
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Mas como algumas dessas forças rítmicas fizeram parte da crença humana durante tantos séculos e como constituem, para muitos, uma parte em evolução da medicina e psicologia modernas, vale a pena examiná-las a fundo.
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No estudo dos factos rítmicos ou cíclicos, particularmente nos que parecem ter uma componente mística, emprega-se muitas vezes a prova estatística para apoiar ou desmentir uma teoria. Cada vez que nos meios de comunicação nos dizem existir uma tendência neste ou naquele sentido, estamos a colher os resultados dos métodos estatísticos.
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O problema com tais estatísticas é a sua interpretação precisa. Um céptico diria que, com a estatística, tudo se pode provar ou negar. Assim, quando tentamos compreender se são reais factos rítmicos e cíclicos misteriosos e nos apresentam provas estatísticas, temos de ter tanta cautela com os números como com os fenómenos.





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- Fotos seleccionadas na Net.
- Texto baseado na consulta de trabalhos de
Carl Sagan e do Prof. Edward S. Ayensu.