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sábado, 10 de abril de 2010

DERRAMANDO PAPOILAS DE SANGUE...





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A papoila tem o tom vermelho, rubro da festa em brasa.

E, no verde manso do trigal - se aparece

É o grito que contesta a cor certinha o ondular cadente

ao toque do tempo - compassos do vento!...

É a gargalhada insólita, inesperada

que desfralda a revolta recalcada !

E... a papoila sabe!

Cativante! - Erótica, ao tacto macia...

tem toque de pele - morna como um ventre ...

tem toque de seda - um mole de veludo

- Um nada de cada - um pouco de tudo ...

Por isso, disfarça o olhar pestanudo

de estames fartos que o ópio perturba...

- Sabe-lhe o negrume e esconde-o bem

na cor escaldante que as pétalas tem.

- Bem de longe chama! - sou de sangue e lume!

- Sou de sangue e lume!...

- E, só se colhida - de morte já ferida

em requebro de tango, maldosa, perdida

sensual, pagã - confessa o ciúme

de usar veneno em vez de perfume.

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Maria José Rijo

LIVRO DAS FLORES








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Há pouco, recebi este Poema de presente!
Partilho-o com quem me quiser
acompanhar nos trigais campos
colhendo o espírito do pão
namorado das papoilas (...)