segunda-feira, 1 de novembro de 2010

«O TERRAMOTO de 1755 no DIA de TODOS os SANTOS »

Gravura ilustrando o terramoto de Lisboa no dia 1 de Novembro de 1755

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Praça do Comércio, ou Terreiro do Paço

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Ao olharmos esta maravilhosa Praça, quase esquecemos aquela terrível manhã de 1 de Novembro, tal como consta nos registos históricos. Um horror! A terra a tremer e a abrir-se, casas e Igrejas a desmoronarem-se, o povo a gritar amedrontado e a morrer sem amparo, o rio Tejo a invadir o cais e a cidade, o fogo a destruir o que restava dela...


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. Tudo passado... sob as ordens do Marquês de Pombal - 1º Ministro do Rei D. José I - enterraram-se os mortos e cuidaram dos vivos. E Lisboa ergueu-se mais bela e espaçosa! Reparai na elegância da estátua equestre de El-Rei D. José, ali, no centro desta grande sala de visitas da cidade de Lisboa. Foi obra artística do grande escultor português, Machado de Castro. Deu maior glória ao Rei !...

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Escultor Joaquim Machado de Castro
(1731-1822)
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«REPRODUÇÃO do Texto, Fotografia e Receita culinária, do Blog Quanto tempo tem o Tempo »
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Há tradições que se vão mantendo, apesar da "concorrência"

Apesar da moda do Halloween estar a ganhar terreno por cá, há tradições que muitos professores portugueses, teimosamente, fazem questão de relembrar por esta altura do ano.
Em muitas aldeias deste país, é uma tradição antiga, os meninos irem de porta em porta pedir o "bolinho" ou como se diz por estes lados, pedir o "Pão por Deus".
Antigamente, as pessoas ofereciam o que a terra lhes dava: nozes, figos secos, batatas, tremoços, pevides... e as famosas "merendeiras" (conhecidas também pelo nome de "bolinhos"). De vez em quando, lá vinha um ou outro tostão mas, tudo o que viesse para a saquinha, era bem vindo.
Nos dias que correm, o interesse das crianças está mais na diversão e no interesse do que propriamente na necessidade.
Nem sempre ficam satisfeitas com uma guloseima ou um bolinho, preferindo antes, juntar muitas moedas brancas (como elas dizem).
Neste aspecto, uma tradição centenária passa a dar lugar a uma tradicional brincadeira de interesses desde cedo manifestada, na maioria das crianças.
Interesses à parte... digam-me lá, se estes bolinhos, não são de "fazer crescer água na boca"?


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Foto do blog Relógio de Corda (clique de novo)
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Receita do Bolinho

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1 Kg e meio de farinha
4 ovos
750 g de açúcar
1/2 pacote de bicabornato de sódio
1 colher sopa de fermento para bolos
150 g de fermento de padeiro
1/2 pacote de pau de canela
1/2 pacote de margarina
125 g de manteiga
sal e raspa de limão
1/4 litro de água
Leva-se o pau de canela a ferver no 1/4 de água. Deixa-se arrefecer (os osvos são batidos e juntam-se no final), mistura-se tudo até ficar uma massa homogénea. Fazem-se bolinhas pequenas que são pinceladas com ovo e vão ao forno de seguida.



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BOM APETITE... são os votos do "Munho do Alfobre"




Para acompanhar estes 'pãezinhos de Deus', vamos lembrar um pouco da história deste dia:
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O dia de Todos-os-Santos foi criado para que os fiéis não se esquecessem dos Santos. Assim, mesmo que durante o ano se tivessem esquecido de celebrar o dia de algum Santo, podiam fazê-lo neste dia.
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Também serve para celebrar todos os cristãos que já partiram, quer tenham sido canonizados ou não. Ser canonizado, como todos sabem, significa que essa pessoa se tornou santa.
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Em Portugal era costume, no dia de Todos-os-Santos, as crianças saírem à rua para pedir o «pão por Deus».
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Iam de porta em porta, recitando versos. Em troca recebiam pão, bolos, broas, romãs, frutos secos, castanhas ou doces.
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Em algumas regiões do país, é costume os padrinhos oferecerem um bolo, o Santoro.
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E em algumas povoações este dia é chamado o "dia dos bolinhos".

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Eis... duas quadras que era costume recitar, quando se pedia o «pão-por-Deus»:

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Lá vai o meu coração
Sozinho sem mais ninguém
Vai pedir o Pão-por-Deus
A quem quero tão bem
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Pão por Deus
Que Deus me deu
Uma esmolinha
Por alma dos seus










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Foto dos bolinhos: Blog - Relógio de Corda
Outras fotos: Net

3 comentários:

Luisa disse...

César,



A memória que tenho deste dia, é de felicidade! Muito brincava com as minhas primas e lá íamos bater à porta das minhas tias, pedir o Pão por Deus. Davam-nos, ferraduras de erva doce, tão boas que me fazem crescer água na boca. Se recitávamos algo, já não me recordo. Brincávamos, com tradições muito nossas, nada de importado. Não acho piada ao Halloween, nem abóboras estragadas, quando eu gosto delas na sopa. De bruxas, já estou farta, que las hay, hay.

Aqui deixo, uma das muitas receitas:

500 g de farinha
300 g de açúcar
4 ovos
150 g de margarina
1 colher sopa de canela em pó
1 colher sopa de erva-doce
2 colheres sopa de fermento em pó

Misturar muito bem todos os ingredientes.
Moldar em forma de pequenas ferraduras.
Vai ao forno em tabuleiro polvilhado de farinha.



Beijinhos
Luísa

relogio.de.corda disse...

Bem...e agora, deste "quartel general", espero enviar aquilo que há umas horas não consegui.
Gostei deste post e não tem nada a ver com a foto dos bolinhos, não.
Aquele floreado que tem em baixo, na imagem de Machado de Castro está o máximo e fica lá muito bem!
Quanto ao resto, já sabe... fez bem em não esperar pela minha "autorização"; sirva-se ao gosto do freguês.
Boa semana.

Swt disse...

Bem! O que eu gosto de bolos dos Santos! Cheio de especiarias!. A receita parece-me bem, vou copiar para o meu livro.
Sobre o terramoto de 1755, aconselho vivamente uma visita ao Museu da Cidade em Entrecampos. Os guias sabem bastante sobre o assunto!
Eu este ano comprei guloseimas para os miúdos que andam a pedir o Pão por Deus, mas acabei por desligar a campainha, porque é muito movimento para a minha cabeça! Ser prof. já chega!